Sergipe está vivenciando um novo momento no campo dos transplantes de órgãos. A Central Estadual de Transplantes, que completou 26 anos, registrou um crescimento significativo no número de procedimentos realizados. Entre 1986 e 2015, o estado realizava, em média, apenas quatro transplantes de rim por ano. No entanto, em 2026, apenas nos primeiros quatro meses, foram realizados 17 transplantes de rim, um número que ressalta o fortalecimento da rede estadual de saúde e as políticas públicas voltadas para a doação de órgãos e tecidos.
Um dos pacientes beneficiados por essa melhoria é o lagartense José Laureano dos Santos, que passou por um transplante renal há 15 dias no Hospital Cirurgia. Desde a infância, José enfrentou dores intensas e foi diagnosticado com estenose renal em 2008. Após anos de tratamento e hemodiálise, ele finalmente recebeu a notícia que mudaria sua vida.
“Depois de alguns meses, surgiu a oportunidade do transplante. Entrei na fila e, uma semana depois, recebi a ligação que mudou a minha vida. Graças a Deus e à generosidade da família do doador, tudo foi possível e deu certo. Hoje, o sentimento é de gratidão e esperança. Sou muito grato a toda equipe que fez parte desse processo e cuidou de mim durante essa caminhada”, comemorou José Laureano.
Entre 1º de janeiro e 22 de maio de 2026, Sergipe registrou um aumento significativo na doação e transplantes de órgãos em comparação ao mesmo período de 2025. Neste ano, foram contabilizados 25 doadores, cinco a mais que no ano anterior, possibilitando a captação de 3 corações, 34 rins e 16 fígados. Em 2025, havia havido 20 doadores, resultando em apenas 1 coração, 19 rins e 11 fígados.
O crescimento no número de transplantes renais está alinhado aos 26 anos de atuação da Central Estadual de Transplantes, órgão que coordena todo o processo de captação e distribuição de órgãos no estado. Para Benito Fernandez, coordenador da central, o avanço não só amplia a assistência, mas também demonstra uma maior conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos.
“Esse resultado demonstra a evolução dos trabalhos da Central de Transplantes e significa também que a sociedade sergipana vem autorizando cada vez mais a doação de órgãos e tecidos. O trabalho de sensibilização e conscientização realizado ao longo dos anos vem apresentando resultados positivos”, destacou Benito Fernandez.
Nos últimos anos, Sergipe tem investido em melhores condições de trabalho para as equipes envolvidas no processo de doação e transplante. O fortalecimento da Organização de Procura de Órgãos (OPO) e do Banco de Olhos de Sergipe também foi crucial. Além disso, o estado voltou a realizar transplantes renais com doador falecido e iniciou os transplantes de fígado.
A criação da Central Estadual de Transplantes trouxe mais transparência ao processo de distribuição de órgãos, que, antes, era realizado de forma descentralizada. Agora, a distribuição segue critérios técnicos, assegurando mais equidade no acesso a transplantes.
Apesar dos avanços, a conscientização da população continua sendo um dos principais desafios para aumentar o número de transplantes. A decisão das famílias em autorizar a doação é fundamental para o sucesso desse processo.
“Hoje, as chances de uma pessoa precisar de um transplante são maiores do que efetivamente ela se tornar doadora. Por isso, é fundamental fortalecer um trabalho permanente de conscientização junto à sociedade sobre a importância da doação de órgãos e tecidos”, reforçou o coordenador Benito Fernandez.
Para isso, a Central de Transplantes de Sergipe desenvolve projetos educativos como ‘Educar para Doar’, ‘É Dando que se Recebe’ e ‘Caminhando Juntos’. É essencial que as famílias sejam informadas sobre o desejo de ser doador, uma vez que, pela legislação brasileira, o cônjuge ou parentes até 2° grau são responsáveis pela autorização de doações.



Fonte: Governo de Sergipe – Saúde
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