Sergipe é tradicionalmente conhecido pela produção de petróleo, gás natural, calcário e potássio. Entretanto, as transformações da economia global, impulsionadas pela transição energética, pela digitalização e pela crescente demanda por minerais estratégicos, colocam o estado diante de uma nova oportunidade: expandir a pesquisa e exploração mineral de substâncias de alto valor agregado, incluindo os chamados minerais críticos e elementos associados às terras raras.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, celulares, computadores, equipamentos militares e tecnologias de energia limpa. Atualmente, esses minerais são considerados estratégicos para a soberania tecnológica das nações e para a indústria do século XXI.
Embora Sergipe ainda não possua jazidas de terras raras amplamente exploradas, como ocorre em Minas Gerais e Goiás, o avanço dos levantamentos geológicos e das pesquisas minerais pode revelar ocorrências economicamente viáveis associadas a rochas sedimentares e depósitos minerais ainda pouco estudados.
O grande diferencial mineral de Sergipe continua sendo o potássio. A Bacia Sergipe-Alagoas abriga importantes depósitos de silvinita, minério utilizado na produção de fertilizantes agrícolas. Estudos recentes confirmam a relevância geológica dessas reservas, consideradas estratégicas para reduzir a dependência brasileira das importações de fertilizantes, já que o Brasil ainda importa grande parte do potássio consumido pela sua agricultura.
O desenvolvimento de novos projetos de mineração de potássio poderá gerar empregos diretos na mineração, empregos indiretos na construção civil, desenvolvimento de fornecedores locais, aumento da arrecadação de royalties minerais e fortalecimento da indústria de fertilizantes do Nordeste.
Além do potássio, Sergipe possui ocorrências de calcário para cimento e corretivo agrícola, argilas industriais, areias industriais, rochas ornamentais, sal-gema, gipsita e possíveis ocorrências fosfáticas em áreas da Bacia Sergipe-Alagoas. Pesquisas conduzidas pelo Serviço Geológico do Brasil identificaram indícios de fosfatos entre os municípios de Riachuelo e Carmópolis. Embora os resultados conhecidos ainda não indiquem reservas comprovadas, há recomendação para aprofundamento das pesquisas em subsuperfície.
“O maior erro de muitos estados mineradores é exportar apenas o minério bruto. Sergipe pode buscar uma estratégia diferente, agregando valor à produção.”
Sendo assim, o beneficiamento local é uma alternativa mais adequada que apenas extrair minerais. Com essa estratégia, o estado pode estimular o crescimento das indústrias de fertilizantes, a ampliação do processamento mineral e o desenvolvimento de centros de pesquisa mineral. Essa abordagem não só multiplica empregos qualificados, mas também aumenta a arrecadação.
Um aspecto crucial para o desenvolvimento do setor mineral é a formação de mão de obra, que pode ser incentivada em parceria com instituições de ensino públicas e privadas. O Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe (ITPS), com seu histórico de atuação pública, pode ser um importante agente de pesquisa nos estudos de terras raras e minerais estratégicos em Sergipe.
Historicamente, a política desenvolvimentista da década de 1970 levou à criação da Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe (CODISE), que exerceu um papel ativo na atração de investimentos e no fortalecimento das cadeias produtivas do estado. Essa empresa estatal pode administrar o Polo Mineral Sergipano, integrando mineração, fertilizantes, química, logística, pesquisa tecnológica e o Porto de Sergipe, transformando Sergipe em uma referência nordestina na cadeia de minerais estratégicos.
É evidente que existem desafios ambientais para a expansão mineral em Sergipe, exigindo cuidados importantes, como a recuperação de áreas degradadas, gestão hídrica, controle de rejeitos e licenciamento ambiental rigoroso. No caso das terras raras, há discussões sobre a necessidade de controle ambiental e tecnológico adequado, especialmente quando minerais estão associados a elementos radioativos.
Uma agenda voltada para Sergipe neste segmento de terras raras e minerais estratégicos deve envolver um projeto de longo prazo, incluindo a ampliação do mapeamento geológico em todo o território, permitindo a atração de investimentos privados para pesquisa mineral e consolidando projetos de potássio. A criação de um Centro Sergipano de Minerais Estratégicos seria relevante para alinhar o desenvolvimento da indústria regional de fertilizantes já existente.
O futuro mineral de Sergipe não depende apenas da descoberta de grandes jazidas de terras raras. O estado já possui uma riqueza estratégica comprovada no potássio e recursos minerais que podem sustentar uma nova etapa de industrialização. Com planejamento, pesquisa geológica, agregação de valor e responsabilidade ambiental, Sergipe pode transformar seu potencial mineral em uma importante fonte de emprego, renda e desenvolvimento regional nas próximas décadas.
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