São Paulo, 20 de agosto de 2025 – A taxação de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre o café brasileiro está gerando forte apreensão entre importadores norte-americanos e pode encarecer uma das bebidas mais consumidas no país.
Os Estados Unidos, que consomem cerca de 450 milhões de xícaras de café diariamente e importam praticamente todo o grão utilizado internamente, incluem o Brasil entre os principais alvos do novo “tarifaço”. O Brasil responde por aproximadamente um terço do café ingerido pelos norte-americanos.
Reajuste imediato nas prateleiras
Peter Longo, dono da Puerto Rico Importing Company, fundada em 1907 em Nova York, calcula que a libra (0,45 kg) do blend brasileiro, hoje vendida por US$ 15,99, pode saltar para quase US$ 24 após a cobrança extra – um acréscimo de cerca de US$ 8. Convertido, o quilo passaria de R$ 194 para mais de R$ 290.
“Isso é uma loucura. As pessoas não pagarão quase US$ 30 pela libra”, afirma Longo. Segundo ele, o aumento ameaça “matar o mercado americano” de café brasileiro.
Impacto sobre uma cadeia de um milhão de empregos
Ao justificar a medida, Trump afirma que as tarifas tornam produtos locais mais competitivos e estimulam empregos internos. Entretanto, a produção de café nos EUA é restrita a pequenas áreas do Havaí, Porto Rico e sul da Califórnia, incapazes de suprir a demanda nacional.
Estoque curto e relógio correndo
A sobretaxa entrou em vigor em 6 de agosto. De acordo com Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as indústrias norte-americanas ainda contam com estoques para 30 a 60 dias, o que dá fôlego para negociações por exceções à tarifa.
Entre janeiro e julho, os EUA compraram 3,713 milhões de sacas de café do Brasil, equivalentes a 16,8% das exportações brasileiras no período. O consumo norte-americano, por sua vez, aumentou 7% desde 2020, enquanto a procura por cafés gourmet avançou 18%.
Custos já vinham subindo
Antes mesmo do anúncio, o preço global do arábica havia alcançado recorde em fevereiro. No mês passado, o café torrado custava 15% a mais aos consumidores dos EUA em comparação ao ano anterior.

Imagem: g1.globo.com
“É o meu sustento. Se tivermos que diminuir ou até fechar, não há o que fazer”, diz Longo. Ainda assim, ele aposta na fidelidade dos americanos: “Eles aguardam ansiosamente o café da manhã; não acho que a bebida desapareça”.
O setor brasileiro corre para incluir o produto na lista de exceções tarifárias e evitar que o repasse chegue integralmente ao consumidor final.
Para entender como funcionam tarifas de importação de produtos agrícolas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) disponibiliza dados completos sobre comércio exterior.
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Resumo: com a tarifa de 50% em vigor, empresas nos EUA buscam alternativas enquanto o Brasil tenta negociar exceções. Siga nossas atualizações e compartilhe esta reportagem para manter mais pessoas informadas.
Com informações de G1
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