São Paulo, 16 de agosto de 2025 – O aumento de 50% nas tarifas aplicado pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros há dez dias colocou o setor do pescado em alerta e já reduz drasticamente as exportações de tilápia.
A medida, em vigor desde 6 de agosto, atinge um segmento que destina mais de 60% das vendas externas ao mercado norte-americano. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados calcula que cerca de 20 mil trabalhadores correm risco de demissão ou suspensão de contratos.
Empresa suspende planos de expansão
Segunda maior exportadora de tilápia do país, a Fider Pescados administra 400 tanques no rio Grande, interior paulista, e processa 9.600 toneladas anuais em seu frigorífico de Rifaina, município de apenas 4 mil habitantes.
Antes do tarifário, 40% dessa produção seguia para os Estados Unidos. Desde a nova alíquota, as remessas caíram quase um terço e podem chegar a zero, segundo o diretor Juliano Kubitza: “A taxação de 50% torna inviável qualquer envio”.
Kubitza lembra que o ciclo da tilápia dura oito meses, dificultando ajustes rápidos. “O peixe é como um trem em movimento: não dá para frear de repente”, afirma.
Trabalhadores temem dispensas
Com cerca de 500 empregados diretos, a Fider avalia alternativas para evitar cortes. “Comentei com a equipe que o tarifaço vem forte e vai impactar nosso emprego”, relata o líder de tanque Sérgio Secco, 43 anos. Na linha de produção, Rafaela Ferreira do Nascimento, 26, diz que a preocupação é geral, mas, por ora, a empresa não cogita demissões para garantir o abate das tilápias já no ponto de colheita.
Mercado interno vira saída
Os Estados Unidos compram principalmente tilápia fresca, produto que assegura melhor margem. Para evitar perdas, parte dos peixes será congelada, explica o supervisor Samuel Araújo Carvalho. A companhia já procura ampliar a distribuição no mercado brasileiro, que atualmente absorve metade da produção.
Mesmo assim, a estratégia exigirá preços menores. Um restaurateur de Rifaina, que prefere não se identificar, confirma a oferta: “Eles sempre venderam caro e agora chegaram com um preço mais baixo; desta vez não vamos comprar”.

Imagem: g1.globo.com
Até que encontre novos compradores, a Fider suspendeu o projeto de aumentar a produção em 35%. “Os próximos meses dirão nosso rumo para 2026. Agora é manter sangue-frio e buscar para quem vender”, conclui Kubitza.
Com informações de g1
De acordo com o Ministério da Agricultura, a tilápia responde por mais de 60% da produção aquícola nacional, reforçando a dimensão do impacto tarifário.
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O mercado do pescado vive momento de incerteza, e as próximas semanas serão decisivas para definir o destino de empresas e trabalhadores. Fique de olho em nossas atualizações e compartilhe esta matéria para manter mais pessoas informadas.
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