O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (29) que o conjunto de propostas elaborado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para modernizar a sigla “será analisado com atenção”, mas adiantou que eventuais mudanças na estrutura interna precisarão do aval coletivo das lideranças partidárias. “Eu quero todos governando junto comigo”, resumiu o dirigente, em declaração que sinaliza disposição de dividir responsabilidades sem abrir mão do comando formal.
A manifestação de Valdemar ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro apresentar à Executiva um documento com sugestões para ampliar a transparência na aplicação dos recursos do fundo partidário, profissionalizar a comunicação digital e criar núcleos temáticos — entre eles, juventude, mulheres e empreendedorismo. O texto também propõe a adoção de políticas de compliance e a instalação de um conselho consultivo, composto por representantes dos três poderes, para acompanhar a estratégia eleitoral até 2026.
Pressão por ajustes internos
Nos bastidores, o gesto do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro é interpretado como tentativa de reduzir resistências em setores do partido que desejam maior participação nas decisões financeiras e programáticas. Hoje, a legenda conta com a maior bancada da Câmara (95 deputados) e lidera a oposição ao governo Lula, situação que, segundo dirigentes regionais, exige “regras mais claras” sobre distribuição do fundo partidário e do tempo de TV.
Valdemar, contudo, frisou que já existe uma estrutura “robusta” de gestão e que o debate deve ocorrer “sem atropelos e sem personalismos”. “Todo mundo vai opinar. Não é hora de disputar espaço, e sim de fortalecer o projeto do partido”, declarou. Segundo ele, a Executiva deve convocar, nas próximas semanas, uma reunião ampliada com presidentes estaduais para discutir as propostas de Flávio.
Eleições municipais e o olhar para 2026
O avanço das discussões coincide com a aproximação do prazo de filiações para as eleições municipais de 2024. Nos cálculos da direção, o PL pode saltar de cerca de 350 para 500 prefeituras no próximo pleito, impulsionado pela popularidade do ex-chefe do Palácio do Planalto, mesmo após a inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral. O partido também aposta na criação de escolas de formação política on-line para capacitar novos quadros e uniformizar o discurso liberal-conservador pelo país.
Para 2026, o cenário permanece aberto. Embora Flávio seja cotado como possível candidato ao Planalto, Valdemar reitera que a decisão só será tomada após as municipais. “Temos bons nomes e vamos trabalhar para chegar lá com musculatura eleitoral. Antes disso, precisamos cuidar das nossas bases”, comentou.
Governabilidade partidária
Aliados do senador avaliam que as modificações sugeridas não objetivam confrontar Valdemar, mas profissionalizar processos e ampliar a participação da bancada federal em pautas estratégicas, como reforma tributária e privatizações. Entre os pontos listados no documento estão:
- Criação de um departamento de compliance para acompanhar contratos;
- Relatórios trimestrais sobre a execução orçamentária;
- Canal permanente de diálogo com empresários e movimentos de renovação política;
- Plataforma digital para registro de filiações e prestação de contas em tempo real;
- Campanhas segmentadas voltadas a jovens e mulheres.
Integrantes do Diretório Nacional ponderam que parte das sugestões já está em curso, citando a auditoria externa contratada para analisar despesas do partido em 2023. Ainda assim, a leitura predominante é a de que o movimento de Flávio ajuda a oxigenar o debate interno e reforça a imagem de união em torno de um projeto de poder conservador.
Próximos passos
A expectativa é que a Executiva marque, até julho, um seminário em Brasília para consolidar as propostas recebidas — não apenas as de Flávio, mas também de governadores e prefeitos filiados. A meta, segundo Valdemar, é sair do encontro com um “caderno de diretrizes” que sirva de manual para as eleições municipais e, em seguida, para a plataforma federal de 2026. “Estamos abertos a toda colaboração”, concluiu.
Com informações de Claudio Dantas




