São Paulo/SP – Vídeos curtos que mostram o exato momento em que funcionários são dispensados, os chamados “vlogs de demissão”, explodiram no TikTok e já acumulam milhões de visualizações. O formato impulsionou carreiras de criadores como Victoria Macedo, 28, mas especialistas avisam: a fama instantânea pode custar a próxima vaga.
- Em resumo: Expor detalhes do desligamento encanta o algoritmo, porém assusta recrutadores e pode até virar justa causa.
O boom que atrai — e filtra — recrutadores
A gravação do desligamento de Victoria, demitida após reestruturação na Natura, superou 1,5 milhão de acessos em 24 horas. A tração rendeu convites de emprego antes mesmo de ela atualizar o currículo. Casos semelhantes brotam na busca por “vlog de demissão”, onde as views passam da casa dos milhões.
Segundo Raquel Nunes, líder de RH na HUG, o desligamento em si não pesa na seleção; o problema nasce quando o vídeo expõe conflitos, colegas ou processos internos. “Recrutadores medem maturidade. Se a pessoa divulga informações sensíveis, acende alerta”, diz.
“No fim, avalia-se a capacidade de lidar com situações difíceis sem queimar pontes”, reforça Raquel Nunes.
Quando o clique pesa na carteira
A advogada trabalhista Isabel Cristina lembra que filmar dentro da empresa ou citar gestores pode violar cláusulas de confidencialidade. Se o contrato ainda estiver ativo (caso de aviso-prévio), a postagem ofensiva pode até ser convertida em justa causa, a punição máxima prevista na CLT.
Para a pesquisadora Issaaf Karhawi, da USP, o fenômeno reflete a cultura de “empacotar” cada fase da vida como conteúdo. O TikTok potencializa o formato pelo apelo de autenticidade: mostrar fragilidade contrasta com a vitrine de êxitos do LinkedIn. Essa carga emocional, observa ela, “ativa o algoritmo e gera empatia”.
Entretanto, viralizar não garante receita nem recolocação. Dados oficiais do Caged indicam que apenas quatro em cada dez desligados conseguem novo vínculo formal em até seis meses, e exposição negativa pode reduzir ainda mais essa taxa.
Checklist para não transformar views em problema
Especialistas recomendam: grave após a poeira baixar, foque em sentimentos e aprendizados, jamais revele segredos corporativos e avalie se o conteúdo seria bem-visto pelo setor onde quer atuar. A mineira Thaís Borges, 26, seguiu a cartilha: evitou citar nomes, centrou-se na própria experiência e agora documenta a busca por recolocação — estratégia que sustentou o engajamento sem fechar portas.
Na dúvida, pergunte-se antes de postar: “Este vídeo reforça minha marca profissional ou cria ruído para o próximo recrutador?” A resposta pode definir se o viral será trampolim ou armadilha.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
Quer acompanhar mais análises sobre tendências de trabalho? Confira outras notícias em nosso portal.
E você, arriscaria filmar o próprio desligamento? Participe nos comentários e siga nossa editoria de Notícias.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








