A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira (19) que ao menos 15 dos 27 países da União Europeia deverão votar a favor do tratado comercial com o Mercosul, número necessário para a aprovação no Conselho Europeu.
A declaração ocorreu um dia depois de a chefe do Executivo do bloco comunicar aos governos que a assinatura, prevista para este sábado (20), foi adiada para janeiro. A informação foi repassada a diplomatas em Bruxelas e confirmada pelas agências AFP e Reuters.
Pressões internas adiam assinatura
Segundo interlocutores presentes na reunião, a Itália uniu-se à França na defesa de mais salvaguardas ao setor agrícola, levando a Comissão a recuar do cronograma inicial. O plano era concluir nesta semana o pacto que criaria a maior zona de livre comércio do mundo.
Oposição francesa
O presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que seu país rejeitará o texto enquanto não houver garantias adicionais para produtores locais. Para agricultores da França, o acordo representa ameaça por permitir a entrada de produtos latino-americanos mais baratos.
Apoio alemão e espanhol
Em contraponto, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o premiê espanhol, Pedro Sánchez, pediram celeridade na aprovação. Ambos veem o tratado como ferramenta para diversificar fornecedores de matérias-primas e mitigar efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Posição italiana
A primeira-ministra, Giorgia Meloni, declarou que a Itália pode endossar o pacto assim que as inquietações dos agricultores forem atendidas. Em ligação com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Meloni disse estar confiante em convencer o setor.
Protestos em Bruxelas
Enquanto os líderes se reuniam, milhares de agricultores bloquearam ruas próximas ao Parlamento Europeu com tratores, queimaram pneus e lançaram batatas contra a polícia. Uma pessoa ficou ferida, segundo autoridades locais.
Próximos passos
Para avançar, o texto precisa de maioria qualificada: apoio de pelo menos 15 países que representem 65% da população da UE. Se aprovado, seguirá para ratificação pelos parlamentos nacionais.
Com informações de G1
De acordo com a Comissão Europeia, o acordo Mercosul-UE abrangerá não apenas tarifas agrícolas, mas também regras sobre serviços, investimentos e propriedade intelectual.
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