A 99Food retomou suas operações de entrega de refeições e desembarcou em São Paulo na manhã desta terça-feira (12). Metade do pacote de investimentos de R$ 1 bilhão anunciado para o retorno ao país — equivalente a R$ 500 milhões — será destinado à capital paulista e municípios da região metropolitana, que já somam 20 mil restaurantes cadastrados.
De acordo com a plataforma, os estabelecimentos não pagarão comissão, medida que busca manter o mesmo valor praticado nos balcões físicos. “Restaurantes sofrem com comissões altas e consumidores reclamam dos preços repassados. Há demanda por uma nova alternativa”, afirmou Simeng Wang, diretor-geral da 99.
Entregadores parceiros também receberão incentivos para atuar em todo o ecossistema da empresa, que inclui serviços de transporte de passageiros, encomendas e, agora, entrega de comida.
Pesquisa aponta demanda por redução de custos
Estudo inédito divulgado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Abrasel demonstra o tamanho dessa expectativa:
- 63% dos entrevistados já deixaram de pedir delivery por causa do preço;
- 94% dos consumidores e 81% dos restaurantes acreditam que pratos poderiam ser mais baratos sem cobrança de taxas;
- 85% dos restaurantes aplicariam a economia em melhorias no negócio e 82% em novas contratações;
- 92% dos consumidores afirmam que pediriam mais se existisse um aplicativo sem tarifa para restaurantes.
Empresas chinesas avançam no delivery brasileiro
O controle da 99Food pertence à chinesa Didi Chuxing, mas a companhia não é a única interessada no mercado nacional. A gigante Meituan anunciou investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) para lançar a marca Keeta no Brasil até o fim do segundo semestre. Na China, o app soma 770 milhões de usuários ativos e realiza entregas até por drones.
Concorrência injeta recursos bilionários
Para preservar fatias de mercado, rivais já atuantes planejam grandes aportes:
Imagem: aplicativo via g1.globo.com
- iFood: investirá R$ 17 bilhões até março de 2026, com meta de elevar a base de usuários ativos de 55 milhões para 80 milhões, aumentar os pedidos mensais de 120 milhões para 200 milhões e contratar 1.100 novos funcionários, chegando a 8.600.
- Rappi: aplicará R$ 1,4 bilhão nos próximos três anos para ampliar o número de restaurantes cadastrados de 30 mil para 100 mil e expandir a operação de 50 para 300 cidades.
Mercado já teve desistências
A disputa no segmento de entregas levou algumas marcas a recuar em anos anteriores. A espanhola Glovo deixou o Brasil em 2019 após apenas um ano de atividade. Em 2022, o Uber Eats encerrou o serviço de refeições e manteve apenas entregas de supermercados e pacotes. Em 2023, a própria 99Food suspendeu as operações para focar em serviços sobre duas rodas, retorno agora revertido com o novo plano de expansão.
Com a estratégia de zerar comissão e um investimento robusto, a 99Food pretende conquistar espaço em um setor dominado por poucos players e atender a demanda por preços mais baixos no delivery.
Com informações de G1 Economia




