O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, nesta segunda-feira, 11 de agosto de 2025, para tratar do aumento de 50% nas tarifas de importação aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O Palácio do Planalto confirmou a ligação, realizada a pedido de Lula.
Segundo nota oficial, o diálogo durou aproximadamente uma hora. Ambos os líderes manifestaram concordância sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo e avaliaram o impacto das medidas norte-americanas na economia global.
Parceria estratégica
Lula e Xi também discutiram a ampliação da parceria estratégica entre Brasil e China. Foram citados avanços na integração dos programas nacionais de desenvolvimento e a intenção de estender a cooperação a áreas como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites.
Soberania em foco
Mais cedo, durante a entrega de um prêmio na área de educação, no Palácio do Planalto, Lula defendeu a necessidade de o Brasil preservar sua soberania em um cenário internacional que classificou como “cada vez mais hostil”.
Fluxo comercial
A China permanece como principal destino das exportações brasileiras. Entre janeiro e julho de 2025, as vendas para o mercado chinês somaram US$ 57,6 bilhões (cerca de R$ 313 bilhões), enquanto as importações totalizaram US$ 41,7 bilhões (aproximadamente R$ 227 bilhões), de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Medidas de reciprocidade
Após a divulgação do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo brasileiro prepara um plano de auxílio econômico e pretende iniciar a discussão sobre possíveis ações de reciprocidade. Fontes do Executivo informam que Lula solicitou aos ministérios das Relações Exteriores, Fazenda e MDIC a avaliação de medidas pontuais, evitando iniciativas de grande alcance que possam elevar custos ou dificultar negociações futuras.

Imagem: g1.globo.com
Setores empresariais demonstram preocupação de que uma aplicação ampla da Lei de Reciprocidade encareça produtos importados dos EUA ou provoque novos impactos negativos na economia. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adiantou que a resposta brasileira deverá contemplar linhas de financiamento, alterações tributárias e regras para compras públicas.
Não há, por enquanto, previsão de nova conversa entre Lula e autoridades norte-americanas sobre o tema.
Com informações de G1
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