Quem: equipe internacional liderada por Sanwen Huang, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, com participação da taxonomista britânica Sandra Knapp
O quê: pesquisa genômica aponta que a batata (Solanum tuberosum) é resultado da hibridização entre o ancestral do tomate (Solanum lycopersicum) e plantas do grupo Solanum etuberosum
Quando: o cruzamento teria ocorrido entre 8 e 9 milhões de anos atrás
Onde: sopés da Cordilheira dos Andes, em território que hoje corresponde ao oeste da América do Sul
Como: análise de mais de 120 genomas mostrou que a batata reúne, em proporções semelhantes, material genético dos dois progenitores
Por quê: a combinação forneceu genes essenciais que permitiram a formação de tubérculos, característica que garantiu adaptação a altitudes elevadas e condições adversas
Híbrido com quatro cópias de cromossomos
Ao contrário da maioria dos seres vivos, que traz duas cópias de cromossomos em cada célula, a batata possui quatro. Essa poliploidia contribuiu para confundir estudos anteriores sobre sua árvore genealógica. Os pesquisadores sequenciaram dezenas de espécies dos grupos batata, tomate e etuberosum e constataram que o tubérculo atual carrega praticamente metade dos genes de cada um dos ancestrais.
Ganho de função decisivo
Cada planta progenitora possuía um gene fundamental para formar tubérculos, mas isoladamente nenhum dos dois desencadeava o processo. Juntos, criaram um novo órgão subterrâneo que armazena energia e permite à planta sobreviver a estiagens, frio intenso ou solos pobres. Experimentos de edição genética confirmaram que, na ausência desses genes combinados, os tubérculos não se desenvolvem.
Impacto agrícola e futuro da pesquisa
O estudo, publicado na revista científica Cell, reforça a importância de diversificar o cultivo de batatas, hoje altamente clonais e suscetíveis a pragas e doenças. A equipe chinesa pretende utilizar o conhecimento para desenvolver variedades que produzam sementes férteis, facilitando o melhoramento genético e aumentando a resistência a mudanças climáticas.

Imagem: meses e só suas netas vão para os merc via g1.globo.com
De acordo com Sandra Knapp, existem mais de 100 espécies selvagens de batata distribuídas do sudoeste dos Estados Unidos ao Chile e ao Brasil. A inclusão de genes dessas variedades pode ampliar a defesa contra ameaças e garantir a segurança alimentar em escala global.
Os resultados também esclarecem a longa relação evolutiva entre batatas e tomates, duas culturas que, apesar de visualmente distintas nos supermercados, compartilham folhas, flores e até frutos semelhantes — tanto que enxertos já produziram plantas capazes de dar tomates acima do solo e batatas abaixo dele.
Para o agronegócio, compreender a origem e a diversidade genética do tubérculo é passo essencial para enfrentar desafios como doenças emergentes e a busca por maior produtividade.
Com informações de G1
Pesquisas da Embrapa detalham o papel da poliploidia em culturas alimentares e podem ser consultadas neste relatório técnico sobre melhoramento genético.
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