No início de maio, cerca de 400 mil visitantes e 2,5 mil cabeças de gado ocuparam o Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), para a ExpoZebu, a maior feira dedicada à raça zebu. O evento, que premia os melhores exemplares do rebanho, simboliza a transformação da pecuária brasileira: em 2024, o país embarcou 2,9 milhões de toneladas de carne bovina e consolidou-se como o maior exportador mundial.
Genética valorizada
Fruto de décadas de melhoramento, o zebu hoje exibe porte alto, pelagem clara e uma corcunda característica. Exemplares de destaque atingem preços milionários. Na edição passada da feira, uma vaca foi arrematada por R$ 25 milhões. Já o touro Gabriel ganhou fama ao gerar 600 mil bezerros por inseminação, demonstrando o peso econômico do material genético.
De acordo com a fotógrafa Carolina Arantes, que documenta a raça há dez anos, “o cuidado é integral; vaqueiros ficam 24 horas com os animais, que recebem banho diário e tosa antes dos julgamentos”. A valorização alimenta a expansão do plantel: hoje são 225 milhões de cabeças no país, e produtores planejam dobrar esse número.
Da Índia ao Cerrado
O zebu chegou em massa ao Brasil entre 1893 e 1914, quando mais de 2 mil animais foram importados da Índia para cruzamentos. Resistente ao calor e a doenças tropicais, a raça superou o gado de origem europeia e passou a dominar as pastagens do país. Historiadores apontam que, ainda nas Guerras Mundiais, a demanda internacional por carne e couro impulsionou a produção nacional, que ultrapassou concorrentes como Argentina e Uruguai.
Ciência e fronteira agrícola
Na década de 1970, a criação da Embrapa acelerou pesquisas em pastagens e sanidade. Novas gramíneas africanas, solos corrigidos e maior oferta de soja para ração empurraram a pecuária rumo ao Centro-Oeste e, posteriormente, à Amazônia. O fortalecimento do setor contribuiu para a formação da chamada bancada “BBB” (bala, boi e Bíblia) no Congresso, influente em pautas do agronegócio.
Vantagem competitiva
Segundo o professor Cássio Brauner, da Universidade Federal de Pelotas, o baixo custo de produção baseado em pasto — somado à mão de obra mais barata — mantém o Brasil competitivo, principalmente diante da forte demanda chinesa. No consumo interno, o churrasco dominical reforça a cultura da carne, com cortes como o cupim, retirado justamente da corcova do zebu.
Pressão ambiental
A expansão, entretanto, cobra preço climático. Vacas emitem metano, gás de efeito estufa até 80 vezes mais potente que o CO₂ no curto prazo, e a abertura de pastagens pressiona a floresta amazônica. Economistas apontam que, sem alternativas econômicas regionais, a pecuária segue sendo uma das poucas fontes de renda no Norte.
Pela ótica da eficiência, o ciclo de engorda mais curto do zebu reduz tempo de vida, emissões e necessidade de área por quilo de carne produzida. A recente certificação do país como livre de febre aftosa deve ampliar as exportações e, possivelmente, estimular outros países tropicais a importar genética zebuína.

Imagem: g1.globo.com
Enquanto o debate ambiental avança, a ExpoZebu permanece como vitrine de um setor que movimenta bilhões, conecta pequenos vaqueiros a investidores e mantém o Brasil no topo do mercado mundial de carne.
Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que o rebanho bovino responde por cerca de 14,5% das emissões globais de gases de efeito estufa provenientes da pecuária.
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O zebu tornou-se peça-chave na pecuária nacional e deve permanecer no centro das discussões sobre produção de alimentos e sustentabilidade. Continue conosco para novas atualizações sobre agronegócio e meio ambiente.
Com informações de G1
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