Washington, 27 de agosto de 2025 – As novas tarifas de importação determinadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingem em cheio os membros do Brics e, segundo especialistas, têm potencial para solidificar a cooperação interna do bloco.
Brasil e Índia lideram a lista de sobretaxas
O governo americano elevou para 50% as taxas sobre produtos indianos, metade delas motivada pela compra de petróleo russo. Medida idêntica foi aplicada ao Brasil, que passa a enfrentar a mesma alíquota como forma de pressão para que o país reverta o julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. Mesmo com exceções pontuais, a tarifa coloca o Brasil entre os principais alvos do pacote da Casa Branca.
Escalonamento atinge todo o bloco
A China corre o risco de sofrer tarifa de até 145% se não chegar a acordo comercial com Washington. A África do Sul passou a pagar 30%, enquanto novos integrantes, como o Egito, podem ser incluídos em próximas rodadas de aumentos.
Desde o início do atual mandato, Trump tem prometido penalizar países que, segundo ele, adotam “políticas antiamericanas” – definição que inclui a iniciativa do Brics de reduzir a dependência do dólar.
Especialistas veem incentivo involuntário à união
Para Ajay Srivastava, ex-funcionário do serviço de comércio exterior da Índia, as sobretaxas criam um motivo comum para que o Brics diminua a exposição aos Estados Unidos. Em entrevista à Deutsche Welle, ele afirmou que as punições “dão ao Brics um incentivo comum para reduzir sua dependência dos EUA”.
Reportagem do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung relatou que Trump fez quatro chamadas telefônicas nas últimas semanas para falar com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sem obter retorno.
Movimentos de retaliação
Os países do bloco intensificam acordos comerciais em moedas locais e ampliam as reservas de ouro. No início de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que buscaria uma resposta conjunta ao tarifaço.
Em artigo no Washington Post, o pesquisador Max Boot argumentou que Trump está “agindo contra os interesses dos EUA ao unir, de maneira involuntária, parceiros e adversários de Washington”.
Cúpula em Tianjin sinaliza aproximação
A partir deste domingo, Xi Jinping recebe Modi e Vladimir Putin na reunião da Organização para Cooperação de Xangai (SCO), em Tianjin, norte da China. Será a primeira visita do líder indiano ao país em sete anos. Moscou pressiona por um encontro trilateral entre China, Rússia e Índia, inédito desde 2019.
Recalibragem indiana e cautela mútua
A Índia flexibilizou vistos, retomou voos diretos e negociou maior acesso a terras raras chinesas. Apesar dos avanços, persistem desconfianças sobre a presença da China na Ásia e suas relações com o Paquistão.
Os laços de Nova Délhi com Washington também pesam: em 2024, exportações indianas para os EUA somaram US$ 77,5 bilhões.
Brasil e Rússia fortalecem laços com Pequim
Em telefonema no início do mês, Lula e Xi discutiram novas frentes de cooperação; a China responde por 26% das exportações brasileiras. Já mais de 90% do comércio entre Rússia e China ocorre em yuan e rublos, segundo o Kremlin.

Imagem: Internet
A África do Sul, por sua vez, reafirmou compromisso com a agenda do Brics, mesmo sob pressão de Washington, informou a pesquisadora sul-africana Sanusha Naidu.
Desafios internos persistem
Com a expansão recente de cinco para dez membros, o Brics lida com interesses nacionais divergentes. Estudo do Boston Consulting Group aponta que o comércio intra-bloco enfrenta mais barreiras do que o praticado entre países ocidentais, mas nota sinais de convergência, como a reversão de medidas antidumping e a discussão de um possível acordo de livre-comércio.
Mihaela Papa, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), prevê maior relevância do comércio entre os integrantes, incluindo campanhas “Compre Brics” e o uso de moedas locais. A proposta russa de uma moeda única permanece sem data para avançar.
Para Srivastava, o dólar seguirá predominante “por anos”, mas sistemas de liquidação em yuan, rupia e rublo tendem a crescer, erodindo gradualmente a hegemonia da moeda americana.
Próximos passos
A resposta conjunta ao tarifaço será debatida nas próximas reuniões do bloco. Líderes pretendem apresentar posicionamento unificado antes do fim do ano comercial nos Estados Unidos.
Dados consolidados sobre tarifas e fluxos comerciais podem ser consultados na base estatística da Organização Mundial do Comércio.
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O impacto das tarifas de Trump sobre o Brics mostra como decisões unilaterais podem redefinir alianças globais. Continue navegando para acompanhar novos desdobramentos e entender como eles afetam a economia mundial.
Com informações de G1
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