Programas capazes de registrar uso de mouse e teclado, identificar sites acessados em tempo real e ranquear a produtividade de trabalhadores ganharam destaque após o Itaú Unibanco demitir mais de mil colaboradores em regime remoto ou híbrido. A instituição confirmou que mediu a atividade dos profissionais durante quatro meses, mas negou capturar telas, áudios ou vídeos, alegando respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Ferramentas vasculham telas e histórico de navegação
Testes realizados pela BBC News Brasil demonstraram o alcance dos sistemas XOne e Teramind. Entre as funções disponíveis estão:
- Monitoramento em tempo real da tela do computador;
- Registro de sites e aplicativos visitados;
- Alerta automático para ações consideradas indevidas, como acessar abas anônimas ou enviar dados sensíveis por e-mail;
- Controle remoto do equipamento pelo empregador;
- Indicadores de horas trabalhadas, taxa de atividade e tempo ocioso.
A demonstração pública da Teramind, empresa fundada em 2014 e que afirma atender mais de 10 mil organizações em 125 países, permite visualizar painéis de “atividade ao vivo” e relatórios de comportamento. Já a avaliação do XOne foi interrompida depois da repercussão no Itaú, mas vídeos institucionais revelam recursos de geolocalização dos computadores e rankings de aderência à jornada.
Investigação e processos trabalhistas
O Ministério Público do Trabalho instaurou, em 16 de setembro, procedimento para obter esclarecimentos do Itaú sobre as demissões. Em 2022, ao menos duas ações na Justiça do Trabalho mencionaram o uso da Teramind por uma empresa de venda de veículos em São Paulo. Nos processos, ex-funcionários alegam que o software controlava horários de login, atendimento a clientes e até ligações realizadas.
Debate sobre transparência
Especialistas apontam que o monitoramento eletrônico não é vedado pela LGPD, mas exige consentimento expresso e comunicação clara ao empregado. Para o pesquisador Pedro Henrique Santos, da Data Privacy Brasil, companhias devem avaliar se a coleta massiva de dados é realmente indispensável à gestão de equipes.
No caso do Itaú, ex-funcionários relataram à BBC que colegas levam o notebook até para beber água, temendo serem classificados como inativos pelo sistema.
Mais detalhes sobre a LGPD podem ser consultados no portal oficial do governo federal, que reúne orientações sobre proteção de dados pessoais neste link.
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Com informações de G1
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