Apesar de a taxa de desocupação ter recuado para 5,6% no trimestre encerrado em julho de 2025 – o menor patamar desde 2012, segundo o IBGE –, mais de 1,2 milhão de brasileiros continuam há dois anos ou mais sem trabalho. Outros 1,9 milhão enfrentam pelo menos 12 meses de busca frustrada por uma vaga.
Profissionais qualificados fora do radar
O engenheiro de software Leandro Tenório enviou centenas de currículos, passou por quase 100 entrevistas e, mesmo com duas pós-graduações, não voltou à área de tecnologia. Hoje, dirige aplicativos de transporte de oito a 12 horas por dia para sustentar a família.
Já o relações-públicas Felipe Bomfim, com fluência em espanhol, inglês e alemão, trabalha como professor de idiomas e faz freelas em eventos após um ano e cinco meses sem carteira assinada. Ambos relatam processos seletivos longos, exigências crescentes e pouco retorno dos recrutadores.
Números que preocupam
De acordo com a PNAD Contínua do segundo trimestre de 2025, o contingente de desocupados de longa duração diminuiu em relação a 2021, quando se aproximava dos 4 milhões, mas segue elevado. O economista Bruno Imaizumi alerta para o risco de que parte desse grupo desista da procura e entre no desalento.
Por que a recolocação emperra?
Imaizumi aponta que o segmento mais afetado reúne trabalhadores com ensino médio completo. “A qualificação de quem busca vaga nem sempre corresponde ao que a empresa precisa hoje”, afirma. Para a consultora de carreiras Taís Targa, recrutadores tendem a desconfiar de lacunas extensas no currículo, e o avanço tecnológico acelera a obsolescência de competências.
Exigências e barreiras adicionais
Domínio de vários idiomas, experiência em ferramentas digitais, disponibilidade para contratos flexíveis e até a idade contam contra quem tenta reingressar no mercado. “Empresas preferem profissionais que já estejam em atividade”, diz Taís. O resultado é um ciclo que reforça o estigma e mina a autoestima de quem está fora há muito tempo.
Estratégias recomendadas
A especialista sugere:
— Apresentar-se como profissional “em recolocação”, evitando o rótulo de desempregado.
— Avaliar com cuidado vagas fora da área, ponderando ganhos e impacto emocional.
— Manter habilidades ativas por meio de freelas, consultorias e projetos próprios.
— Investir em networking, participação em eventos e cursos de atualização.
— Preservar a saúde mental com rotina equilibrada e apoio familiar.
O desafio, concordam os especialistas, é romper o ciclo de desconfiança e atualizar competências sem perder o vínculo com o mercado.
Essa matéria termina aqui, mas o tema segue em debate enquanto o país registra indicadores favoráveis que ainda não alcançam todos os trabalhadores.
Dados detalhados sobre o mercado de trabalho podem ser consultados no site do IBGE.
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Com informações de G1
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