Ribeirão Preto (SP) – O Grupo Voepass obteve na última sexta-feira (26) mais 180 dias de proteção judicial contra cobranças de credores e, ao mesmo tempo, alterou sua estrutura societária para destravar a venda de 92 slots avaliados em R$ 182 milhões.
MAP assume o comando
Documentos apresentados à 3ª Vara Empresarial de Ribeirão Preto mostram que, em agosto, a participação acionária das empresas do grupo passou a ser integralmente controlada pela MAP Transportes Aéreos. Até então, o comando estava nas mãos da Passaredo Transportes Aéreos, cujo Certificado de Operador Aéreo (COA) foi cassado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) após o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.
A troca de controle é apontada pela companhia como passo fundamental para negociar os slots — cotas de pousos e decolagens — ainda registrados em seu nome, sobretudo no Aeroporto de Congonhas (SP). O grupo planeja criar uma Unidade Produtiva Isolada (UPI) que concentre esses direitos de operação, permitindo a venda do ativo sem transferência de dívidas.
Suspensão de cobranças desde fevereiro
Esta é a terceira vez que a Justiça autoriza a suspensão temporária das cobranças. O primeiro alívio foi concedido em fevereiro, por 60 dias; o segundo, em maio, estendeu o prazo por mais 120 dias. Com a nova decisão, a trégua chega a seis meses, período em que a empresa pretende aprovar um aditamento ao plano de recuperação judicial.
Crise financeira
Com dívidas estimadas originalmente em R$ 400 milhões, a Voepass entrou em recuperação judicial em abril. Apenas R$ 25 milhões estão formalmente incluídos no processo após a exclusão da Passaredo Transportes Aéreos, mas o passivo das três empresas em reestruturação — MAP, Passaredo Gestão Aeronáutica e Joluca Participações — supera R$ 193 milhões.
A assembleia de credores foi marcada para outubro. Até lá, a companhia tenta impedir que a Anac redistribua os 92 slots de inverno (válidos até março de 2026) que ainda possui. A agência já realocou as autorizações da temporada de verão.
Segundo os advogados do grupo, potenciais interessados manifestaram disposição para adquirir ou arrendar os slots, o que garantiria recursos para quitar dívidas e reativar operações. A Voepass alega que a conclusão bem-sucedida da recuperação depende da negociação desse ativo.
Mais informações sobre regras de slots e certificados de operadores aéreos podem ser consultadas no site oficial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
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Continue ligado para novos desdobramentos sobre a recuperação judicial da Voepass e o futuro dos voos regionais no país.
Com informações de g1 Ribeirão Preto e Franca
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