O mercado de ativos considerados reserva de valor vive um momento histórico. Nesta terça-feira (7), a cotação do ouro ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 4.000 por onça troy (31,1 gramas). Dois dias antes, no domingo, o bitcoin atingiu US$ 125 mil, também um novo recorde, antes de recuar levemente.
O que explica o salto do ouro
Tradicional porto seguro em períodos de tensão, o ouro acumula alta superior a 50% desde 1º de janeiro de 2025, ritmo que pode resultar no maior ganho anual desde 1979. Analistas apontam diversos gatilhos:
- Incerteza econômica gerada pelas tarifas de importação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelas dúvidas sobre a dívida federal norte-americana.
- Conflitos geopolíticos na Ucrânia e em Gaza, além do recente shutdown do governo dos EUA.
- Queda do iene após a eleição de Sanae Takaichi para liderar o Partido Liberal Democrata, reduzindo o número de moedas consideradas refúgio.
- Crise política na França com a renúncia do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, aumentando o risco para o euro.
- Demanda recorde de investidores: fundos de hedge detêm US$ 73 bilhões em contratos futuros de ouro, enquanto a procura por ETFs lastreados no metal cresceu de forma agressiva.
- Compras de bancos centrais, que seguem reforçando reservas como proteção contra choques externos.
Por que o bitcoin disparou
A criptomoeda mais negociada do mundo dobrou de valor nos últimos 12 meses. Especialistas relacionam o movimento a:
- Reeleição de Donald Trump e sua postura favorável a criptoativos, o que impulsionou a confiança no setor.
- Entrada de investidores institucionais, que enxergam o bitcoin como alternativa ao dólar.
- Perspectiva de cortes de juros, encorajando aplicações de maior risco.
- Temor de desaceleração dos EUA em meio ao shutdown federal.
- Efeito sazonal: outubro costuma ser um dos meses mais fortes para a moeda, com apenas duas quedas registradas desde 2013.
Projeções para os próximos meses
O Standard Chartered prevê o bitcoin em US$ 135 mil caso o impasse fiscal norte-americano perdure. Para o ouro, o HSBC espera que bancos centrais mantenham compras robustas; pesquisa do Conselho Mundial do Ouro mostra que 95% dos gestores de reservas acreditam na continuidade da alta de estoques oficiais nos próximos 12 meses.
Com fundamentos ligados tanto à busca por proteção quanto ao interesse especulativo, ouro e bitcoin seguem no radar de investidores que procuram diversificação diante de riscos políticos e econômicos.
No contexto global, dados do Fundo Monetário Internacional indicam que os níveis de endividamento soberano permanecem elevados, fator que costuma reforçar a atratividade de ativos considerados reserva de valor.
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Ouro e bitcoin continuam registrando ganhos expressivos, sustentados por demanda institucional, incertezas geopolíticas e políticas econômicas em grandes economias. Siga acompanhando nossas publicações para não perder as próximas análises e novidades.
Com informações de G1
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