Brasília – A sobretaxa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros há pouco mais de dois meses reduziu em 20% as vendas externas do Brasil para o mercado norte-americano e motivou empresas a buscar compradores na Europa, Ásia e Oriente Médio. A questão deve ser tratada nesta quinta-feira (16) na reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington.
Impacto nas exportações
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em setembro, as exportações para os EUA somaram US$ 2,58 bilhões, contra US$ 3,23 bilhões no mesmo mês de 2024. O recuo agravou o déficit comercial brasileiro com os norte-americanos, que atingiu US$ 1,8 bilhão – o nono mês seguido de saldo negativo.
Mais da metade (55%) dos embarques brasileiros para os EUA está sujeita à nova tarifa, equivalente a cerca de US$ 22 bilhões em mercadorias que incluem café, carne bovina, ferro e aço semimanufaturados, além de bens manufaturados. Setores como siderurgia, madeira, calçados, máquinas e pecuária registram perdas adicionais.
Empresas buscam rotas alternativas
No Ceará, fábricas reduziram custos enquanto negociam com clientes da Europa e da Ásia. Em Minas Gerais, produtores que perderam contratos com compradores norte-americanos enviaram amostras a companhias da Noruega e de Dubai. Exportadores de lagosta, tradicionalmente voltados aos EUA, estocam o crustáceo na expectativa de fechar vendas para a China.
Dificuldades para diversificar mercados
Especialistas ouvidos pelo setor avaliam que o perfil protecionista da política comercial brasileira dificulta a ampliação de destinos. O país adota a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, que varia de 0% a 20% – podendo chegar a 35% em casos excepcionais – e mantém tarifa média de 12%, segundo o Instituto Brasileiro de Comércio Internacional e Investimentos (IBCI). Antes da sobretaxa, a média tarifária dos EUA era de 3%.
Para Sandra Rios, diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), a proteção ao mercado interno reduz a competitividade no exterior e coloca o Brasil em desvantagem em relação a nações que firmaram mais acordos comerciais. O professor Claiton Alves Cunha, da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), destaca que o processo de inserção em novos mercados pode levar meses ou até um ano, especialmente para produtos de maior valor agregado.
Expectativas para a reunião em Washington
Fontes diplomáticas afirmam que o governo brasileiro pretende negociar a retirada parcial ou total da sobretaxa. Analistas acreditam que Washington pode vincular a redução das tarifas a dois pontos: maior distanciamento do Brasil em relação ao Brics e prioridade de acesso norte-americano às reservas brasileiras de terras raras, segunda maior do mundo.
A gerente da Saygo Comex, Stefânia Ladeira, lembra que o Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) alegando que as sobretaxas não seguiram estudos técnicos exigidos pelos acordos multilaterais. Para o professor José Roselino, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o processo na OMC pode durar anos, mas a negociação bilateral desta quinta-feira é vista como oportunidade para reduzir o imposto a cerca de 25%.
Diplomatas brasileiros consideram que um entendimento que alivie a tarifa seria fundamental para dar fôlego às exportações e evitar novas perdas de mercado.
Para mais detalhes sobre regras comerciais internacionais, a OMC reúne em seu portal oficial informações sobre tarifas e disputas entre países.
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O governo brasileiro aposta na reunião desta quinta para aliviar o peso das tarifas sobre a economia nacional. Continue acompanhando nossas atualizações e receba as últimas notícias em tempo real.
Com informações de g1
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