O governo dos Estados Unidos passou a comercializar parcela expressiva do petróleo produzido na Venezuela, após a prisão do então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O novo arranjo prevê que as receitas das vendas fiquem sob administração norte-americana e sejam liberadas ao Banco Central da Venezuela (BCV) somente com aprovação prévia de Washington.
Primeiros lotes já negociados
Três dias depois da captura de Maduro, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou, na rede Truth Social, que entre 30 e 50 milhões de barris seriam enviados aos EUA. O Departamento de Energia confirmou a operação e indicou que o procedimento não tem prazo para terminar.
A estatal PDVSA classificou o acordo como estritamente comercial. As tradings Vitol e Trafigura, duas das maiores do mundo, foram escolhidas para intermediar os embarques. Segundo a agência Bloomberg, o petróleo venezuelano foi adquirido por cerca de US$ 15 a menos que o valor do Brent e ofertado a refinarias na Costa do Golfo por desconto entre US$ 8 e US$ 9.
Destino do dinheiro
Os recursos das primeiras cargas, estimados em US$ 500 milhões, não entraram diretamente nos cofres de Caracas. Eles foram enviados a uma conta do Banco Central venezuelano no JP Morgan e, em seguida, a um fundo fiduciário no Catar, criado para resguardar o valor de credores internacionais e das sanções impostas pelos EUA.
De acordo com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o mecanismo temporário serve para “estabilizar o país” e impedir que o montante financie antigos esquemas de corrupção.
Leilões de dólares no país
O BCV tem repassado parte do dinheiro ao mercado interno por meio de leilões diários de divisas. Até o fim de janeiro, aproximadamente US$ 800 milhões foram ofertados, com a seguinte divisão divulgada pelo economista Alejandro Grisanti: 80% para alimentos e medicamentos, 15% para outros setores produtivos e 5% para pessoas físicas.
A projeção de Rubio é que entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões passem pelo mesmo sistema nos próximos meses.
Críticas à transparência
Especialistas ouvidos pela BBC apontam falta de clareza sobre os critérios de liberação dos recursos e sobre o acompanhamento de gastos pelo governo interino de Delcy Rodríguez. O consultor Asdrúbal Oliveros defende regras mais objetivas nos leilões, inclusive sobre a formação da taxa de câmbio divulgada diariamente pelo BCV.
Apesar das dúvidas, analistas avaliam que o aumento da oferta de dólares tem contribuído para conter a desvalorização do bolívar e pode ajudar a reduzir a inflação em 2026, caso o ritmo de repasses seja mantido.
Com informações de G1
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