NOVA YORK (01.nov.2025) – Sob a tarifa extra de 50% imposta pelo governo Donald Trump desde 6 de agosto, importadores norte-americanos de café passaram a buscar rotas alternativas para reduzir prejuízos. A Lucatelli Coffee, sediada em Nova Jérsei, redirecionou um carregamento de US$ 720 mil em café brasileiro para o Canadá a fim de escapar da taxação.
Armazenagem temporária na Flórida
A mercadoria foi primeiramente estocada em um armazém alfandegado na Flórida, estado que permite guardar o produto sem pagamento imediato de impostos. Caso a empresa decida vender o lote em território americano, o tributo de 50% será cobrado integralmente.
Segundo o proprietário Steven Walter Thomas, o custo adicional de transporte até o mercado canadense compensa a isenção da tarifa. “É um dilema: esperar por um acordo comercial ou assumir a despesa logística para transferir o café”, afirmou à agência Reuters.
Contratos cancelados e estoques baixos
A sobretaxa afetou um setor que tradicionalmente depende do Brasil para cerca de um terço de seus grãos. Algumas torrefadoras cancelaram pedidos já embarcados, pagando multas entre US$ 20 e US$ 25 por saca de 60 kg – que hoje vale em torno de US$ 515 sem a nova taxa. Mesmo com a penalidade, empresas como a Downeast Coffee Roasters ficaram sem produto suficiente para abastecer redes de supermercados na Costa Leste.
“Nossos estoques estão se esgotando rapidamente”, disse Michael Kapos, executivo da Downeast, que agora testa cafés de Colômbia, México e América Central. Desde julho, os preços desses origens subiram até 10%, enquanto o grão brasileiro recuou cerca de 5%.
Varejo sente impacto de 41%
Para o consumidor, o reflexo é direto. Dados do governo dos EUA apontam alta de 41% no preço do café torrado e moído em setembro ante igual mês de 2024. Parte da inflação está ligada à oferta global menor, mas importadores atribuem parcela significativa à tarifa. Em Nova Jérsei, clientes relatam pagar até US$ 11 por potes de café instantâneo que custavam US$ 6 antes da medida.
Motivações políticas
Ao anunciar a sobretaxa, Trump citou razões comerciais e acusou o Supremo Tribunal Federal brasileiro de perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos de prisão. Apesar de um encontro recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não há garantia de retirada da tarifa.
“Não se trata de reciprocidade comercial, é punitiva e política. O Brasil não paga; eu e meus clientes é que pagamos”, criticou Thomas.
Enquanto aguardam um possível acordo, empresas americanas reorganizam suas cadeias de suprimentos e consumidores buscam promoções para manter o hábito diário de café.
Um panorama histórico sobre variações internacionais de preço do café pode ser consultado no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que acompanha o mercado global da bebida.
Para entender como medidas de comércio exterior afetam outros setores, confira a cobertura da editoria Internacional em nosso site.
Os próximos capítulos das negociações entre Washington e Brasília serão decisivos para produtores, importadores e consumidores. Continue acompanhando nossa página para atualizações em tempo real.
Com informações de g1
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