A Amazon anunciou, na terça-feira (28), que pretende eliminar aproximadamente 14 mil postos de trabalho em sua estrutura global. Segundo a companhia, a medida busca tornar a operação “mais enxuta” para explorar oportunidades abertas pela inteligência artificial (IA).
O movimento coloca a gigante do comércio eletrônico e de serviços em nuvem na mesma direção de outras empresas dos Estados Unidos que mencionam a adoção de IA como fator determinante para cortes recentes.
Empresas citam IA ao reduzir quadros
Na segunda-feira (27), a Chegg, plataforma de educação on-line, comunicou a dispensa de 45% de seus funcionários, também atribuindo a decisão às “novas realidades” trazidas pela IA. Em outubro, a Salesforce retirou 4 mil cargos de atendimento ao cliente depois que seu CEO declarou que agentes de IA já executavam parte dessas funções. A UPS, por sua vez, informou ter encerrado 48 mil contratos desde 2023, citando o uso crescente de aprendizado de máquina na operação logística.
Especialistas pedem cautela ao avaliar impacto
Para Martha Gimbel, diretora-executiva do Budget Lab, ligado à Universidade de Yale, extrapolar falas de executivos durante anúncios de demissões é “possivelmente a pior forma” de medir o efeito da IA sobre o emprego. Ela observa que fatores internos de cada empresa e o ciclo econômico continuam pesando nas decisões.
Estudo do Federal Reserve de St. Louis identificou correlação entre ocupações com maior exposição à IA e aumento do desemprego desde 2022. Entretanto, pesquisa conduzida por Morgan Frank, professor da Universidade de Pittsburgh, apontou impacto significativo apenas sobre trabalhadores de apoio administrativo após o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022.
Contratações aceleradas antes da pandemia influenciam cortes
Economistas lembram que Amazon e outras gigantes de tecnologia ampliaram seus quadros em ritmo acelerado nos anos que antecederam a pandemia e nos primeiros meses dela, quando o Federal Reserve reduziu os juros a quase zero. Esse cenário, segundo especialistas, preparou o terreno para ajustes posteriores, independentemente do avanço da IA generativa.
A discussão agora se concentra em diferenciar perdas de vagas provocadas por fatores cíclicos das geradas pela automação. Cargos de recursos humanos e marketing, por exemplo, costumam ser cortados em momentos de desaceleração e também figuram entre os mais suscetíveis à IA.
Escala favorece automação na Amazon
Enrico Moretti, economista da Universidade da Califórnia em Berkeley, avalia que as maiores empresas de tecnologia lideram os cortes relacionados à IA porque são, ao mesmo tempo, desenvolvedoras e usuárias das ferramentas. Lawrence Schmidt, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), acrescenta que a dimensão da Amazon permite automatizar funções em ritmo superior ao dos concorrentes, realocando mão de obra ou encerrando contratações futuras.
No segundo trimestre, apesar dos planos de desligamentos, a Amazon registrou alta de 13% nas vendas em relação ao mesmo período de 2023, somando US$ 167,7 bilhões.
Próximos passos – Analistas observam que o efeito da IA sobre o emprego dependerá, em grande parte, da trajetória da economia. Caso o crescimento se recupere, será possível distinguir com mais clareza os cortes ligados à tecnologia daqueles motivados por fatores macroeconômicos.
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De acordo com dados publicados pelo Federal Reserve, a variação nas taxas de juros desde 2020 influenciou diretamente os ciclos de contratação e demissão nas grandes corporações.
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Em resumo, o anúncio da Amazon reforça a tendência de reestruturações no setor de tecnologia frente aos avanços da inteligência artificial. Continue acompanhando nossa cobertura para entender como essas mudanças podem afetar o mercado de trabalho.
Com informações de g1
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