São Paulo – Um relatório da Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP), emitido em abril, advertiu cinco institutos municipais de previdência sobre o perigo de perder recursos aplicados em títulos de renda fixa do Banco Master. Ao todo, Cajamar, Araras, Santa Rita d’Oeste, Santo Antônio de Posse e São Roque investiram aproximadamente R$ 218 milhões na instituição, a maior parte das operações realizada em 2024.
O alerta ganhou peso nesta segunda-feira (17) depois que o Banco Master virou alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC). O proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jato particular para Malta.
Preocupação com o patrimônio dos segurados
No parecer, o MPC-SP manifestou receio de que eventual quebra do banco comprometa o patrimônio dos servidores segurados. Os cinco institutos atuam na gestão das aposentadorias de funcionários municipais e, segundo o órgão, a possível insolvência do Master colocaria em risco as reservas destinadas ao pagamento de benefícios futuros.
Operação Compliance Zero
A investigação da Polícia Federal apura a suposta emissão e venda de CDBs com rentabilidade prometida até 40% acima da taxa básica de juros — percentual considerado irreal pelos investigadores. A PF estima que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Seis dos sete mandados de prisão foram cumpridos, incluindo quatro diretores do banco, além de 25 ordens de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo; sua defesa e a assessoria do banco não se pronunciaram.
Liquidação extrajudicial e negócios frustrados
Na manhã de terça-feira (18), o BC determinou a liquidação extrajudicial do Master e bloqueou os bens de controladores e ex-administradores, suspendendo qualquer negociação de venda em curso. Horas antes, um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira havia anunciado intenção de adquirir o banco com aporte imediato de R$ 3 bilhões. Em setembro, o próprio BC já havia barrado uma tentativa do Banco de Brasília (BRB) de comprar participação majoritária na instituição.
As investigações que culminaram na operação foram iniciadas em 2024 a pedido do Ministério Público Federal. Os crimes apurados incluem gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Procuradas, a Prefeitura de Cajamar, o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar e o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo não responderam até o fechamento desta edição.
Novos desdobramentos dependem agora do processo de liquidação conduzido pelo Banco Central e das ações judiciais contra os dirigentes do Master.
De acordo com nota oficial do Banco Central do Brasil, a liquidação extrajudicial suspende todas as operações da instituição e visa proteger depositantes e investidores.
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Com informações de G1
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