Brasília – O Banco Central (BC) decretou nesta terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master e nomeou um liquidante para assumir o controle da instituição. A decisão veio acompanhada da prisão do fundador Daniel Vorcaro e de quatro diretores, investigados por fraudes que teriam movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Origem e expansão
Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários, o grupo evoluiu nas décadas seguintes até se tornar o atual Banco Master. Nos anos 2000 e 2010, diversificou atividades em crédito, investimentos e gestão de recursos, ganhando notoriedade por ofertar produtos com rentabilidades acima da média de mercado.
Deterioração financeira e tentativas de venda
Em março de 2025, o Master negociava vender 58 % de seu capital ao Banco de Brasília (BRB) por cerca de R$ 2 bilhões, operação que formaria um conglomerado de R$ 100 bilhões em ativos. Órgãos de controle, porém, questionaram a transparência da transação, e o negócio não avançou.
Com dificuldades de caixa, o banco recorreu a uma linha emergencial de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em maio, renovada duas vezes. Na véspera da liquidação, uma proposta da holding Fictor e de investidores dos Emirados Árabes Unidos apontava aporte imediato de R$ 3 bilhões, mas perdeu validade após o BC intervir.
CDBs com juros fora do padrão
O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs pagando até 180 % do CDI — muito acima dos 100 % a 105 % praticados por bancos considerados saudáveis. Especialistas apontam que a remuneração elevada indicava dificuldade de captação e necessidade urgente de caixa.
Fraudes sob investigação
Apurações da Polícia Federal indicam emissão de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovação de liquidez, além de registro de ativos fictícios comprados da empresa Tirreno. No mesmo período, o BRB teria pago R$ 12,2 bilhões por esses créditos para socorrer o Master, enquanto tentava adquirir a própria instituição.
Consequências para clientes
Com a liquidação, todas as operações foram interrompidas. O liquidante deverá inventariar bens, levantar dívidas e iniciar pagamento a credores. Depósitos, CDBs, LCIs, LCAs e demais produtos cobertos pelo FGC terão garantia de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Valores acima desse limite entrarão em lista de credores, a ser publicada em até 30 dias.
Saque, transferência e pagamentos estão suspensos. Parcelas de empréstimos e financiamentos devem continuar sendo quitadas, pois a liquidação não extingue obrigações de devedores.
Próximos passos
O BC conduzirá investigação própria para apurar responsabilidades, enquanto os bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis por determinação legal. Os crimes em apuração incluem gestão fraudulenta, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que podem chegar a 12 anos de prisão.
O processo coloca o Banco Master no mesmo rol de instituições que passaram por liquidação nas últimas décadas, como Banco Santos, Cruzeiro do Sul e Banco Nacional.
De acordo com o Banco Central do Brasil, a liquidação extrajudicial é medida voltada a preservar ativos, proteger depositantes e garantir a correta apuração de responsabilidades.
Para acompanhar outras movimentações do mercado financeiro e seus impactos locais, acesse a editoria de Política no nosso portal.
Este resumo reúne os principais fatos sobre a intervenção no Banco Master. Continue acompanhando nossos canais para mais atualizações e orientações ao investidor.
Com informações de g1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








