Aracaju (SE) – Em artigo publicado no Portal Infonet, o professor sergipano Damião Oliveira Santos, doutor e mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), apresenta um relato pessoal que liga a própria trajetória – do Bairro Botequim, em Estância, à carreira acadêmica – à defesa do letramento racial, da escola pública e de políticas de enfrentamento à violência contra a população negra.
Origem e formação
Nascido em casa de chão de barro no Botequim, periferia de Estância, Damião recorda a influência dos pais, Gaô e Seu Guilherme, e conta que cada livro lido foi “uma chave” para superar barreiras sociais. Hoje professor universitário, ele ressalta que a educação formal – da graduação em Educação Física ao doutorado – foi decisiva para mudar de realidade.
População negra em foco
No texto, o docente lembra que negros (pretos e pardos) formam a maioria da população brasileira e afirma que essa parcela segue liderando índices de mortalidade policial, desemprego e encarceramento. Ele cita a rejeição, pelo governo do Rio de Janeiro, do Plano Nacional de Redução da Letalidade Policial como exemplo de política que poderia salvar vidas, mas não foi aplicada.
Crítica à violência de Estado
Damião comenta recentes operações policiais no Rio de Janeiro, destacando o uso de helicópteros armados em comunidades e o impacto direto nas famílias negras. Para o professor, “o Estado chega inteiro apenas quando vem armado”, reforçando a necessidade de revisar estratégias de segurança pública.
Cultura como resistência
O autor aponta que manifestações como samba, capoeira, maracatu e jongo preservam memória africana e funcionam como instrumentos de sobrevivência cultural. Ele também lembra figuras históricas e contemporâneas – de Zumbi e Dandara a estancianos como João Mulungu e Beatriz Nascimento – para reforçar a importância de reconhecer vozes apagadas pela história oficial.
Educação como “melhor vingança”
Segundo Damião, o letramento racial é “cura e escudo” contra o racismo estrutural. Ele compara o navio negreiro ao camburão policial, destacando que ambas as imagens simbolizam controle e punição dos corpos negros. Na visão do professor, a escola pública forte é capaz de formar profissionais que transformem essa realidade “por dentro”.
Consciência Negra além do feriado
Para o docente, a Consciência Negra representa memória, luta e ação coletiva. Ele defende políticas inclusivas, combate a milícias e traficantes, e insiste que ocupar espaços de poder é fundamental para interromper a “moeda de troca” do sangue negro.
Damião conclui que cada voto tem impacto direto na proteção de vidas negras, reiterando que a consciência deve vir acompanhada de mobilização social.
Com informações de Portal Infonet
Dados do IBGE corroboram a afirmação de que pretos e pardos somam mais de 56% dos brasileiros, reforçando a relevância dos pontos levantados pelo professor.
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O relato de Damião Oliveira Santos reforça que educação, cultura e participação política são peças-chave na luta antirracista. Compartilhe esta notícia e ajude a manter o debate vivo.
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