Brasília – Mesmo após duas decisões do governo norte-americano que derrubaram sobretaxas sobre centenas de mercadorias importadas, quatro produtos brasileiros permanecem sujeitos a uma alíquota adicional de 50% nos Estados Unidos: café solúvel, uva fresca, mel natural e pescados.
Alívio parcial
Em 14 de novembro, Washington retirou uma tarifa recíproca de 10% aplicada desde abril a cerca de 200 alimentos de vários países. Seis dias depois, em 20 de novembro, suspendeu a sobretaxa de 40% anunciada em julho para mais de 200 itens de origem brasileira. Ficaram isentos produtos de grande peso comercial, como café em grão e carne bovina, mas o benefício não alcançou as quatro cadeias produtivas citadas.
Café solúvel
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o segmento ainda não recebeu explicação para a exclusão. Em 2024, 10% da receita externa do setor veio das vendas aos EUA. Até julho, o país era o principal destino do produto; desde então, as remessas caíram cerca de 50% entre agosto e outubro, abrindo espaço para Rússia, México, Colômbia, Vietnã e Europa. Abics e Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) negociam com Itamaraty e autoridades americanas para reverter a situação.
Uva fresca
A fruta responde por 23% das exportações brasileiras de uva em 2024, de acordo com o AgroStat. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) informa que a comercialização para os EUA recuou 73% entre outubro e novembro, comparado ao mesmo período de 2024. A entidade atribui a exclusão à expectativa de supersafra norte-americana e à forte concorrência do Chile e do Peru. Parte da produção foi redirecionada para mercados da Europa e da América do Sul, mas com menor poder de barganha para preços.
Mel
O mel brasileiro já arcava com tarifa de importação de 8,04% antes do tarifaço. Com o adicional de 50%, quase 80% das vendas externas ao país ficam comprometidas, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel). Contratos firmados até dezembro de 2025 permanecem vigentes, mas há incerteza sobre renovações. Produtores temem queda de preços, aponta a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis).
Pescados
A exclusão dos pescados da lista de isenções impacta um setor que fatura cerca de US$ 300 milhões anuais com o mercado norte-americano, responsável por quase metade das exportações, informa a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca). A entidade cobra prioridade nas negociações bilaterais, alegando reflexos diretos em pequenas e médias empresas costeiras e ribeirinhas.
As cadeias produtivas continuam articulando, junto ao governo brasileiro, para que os quatro itens sejam incluídos em futuras rodadas de isenção tarifária.
Informações sobre as medidas tarifárias dos EUA podem ser consultadas no site do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país.
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Esses setores seguem monitorando o cenário e pressionam por inclusão nas próximas listas de isenção, enquanto produtores redirecionam exportações e renegociam contratos à espera de um desfecho favorável.
Com informações de g1
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