Brasília – A Petrobras e a Shell arremataram, sem concorrência, duas das três participações oferecidas nesta quarta-feira (4) pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) em campos já em produção, garantindo ao governo federal R$ 8,8 bilhões em pagamentos à vista.
Detalhes dos lances
No Campo de Mero, o consórcio formado pelas duas empresas levou 3,5 % da parcela da União por R$ 7,79 bilhões, valor acima do mínimo fixado em R$ 7,65 bilhões. Já em Atapu, a dupla adquiriu 0,95 % por cerca de R$ 1 bilhão, superando o lance mínimo de R$ 863,32 milhões.
A terceira área ofertada, correspondente a 0,833 % da jazida de Tupi, recebeu valor mínimo de R$ 1,69 bilhão, mas não teve interessados.
Expectativa de receita menor
Com a ausência de propostas para Tupi, a arrecadação ficou abaixo da estimativa oficial mais recente, que projetava R$ 10,2 bilhões. No início do processo, a previsão era de R$ 15 bilhões, levando em conta possíveis ágios e a venda integral das três participações.
Razões do desinteresse por Tupi
O presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, avaliou que a queda do preço internacional do petróleo Brent ao longo de 2025 reduziu o apetite das empresas. Segundo ele, dez companhias acessaram o data room e sete se habilitaram para o certame, mas, “possivelmente, a visão dos compradores foi um pouco pior” em relação à jazida de Tupi.
Pagamentos futuros e earn-out
Além dos valores iniciais, Petrobras e Shell poderão desembolsar quantias adicionais — conhecidas como earn-out — caso determinadas condições se concretizem, como a média anual do Brent superar US$ 55 por barril ou mudanças nas participações das jazidas.
Ampliação das participações da Petrobras
Em fato relevante, a estatal informou que pagará R$ 6,97 bilhões ainda em dezembro para elevar sua fatia em Mero de 38,60 % para 41,40 % e, em Atapu, de 65,687 % para 66,38 %.
Efeito nas contas públicas
Segundo fonte do Ministério da Fazenda, a frustração de R$ 1,4 bilhão não deve impactar o cumprimento das metas fiscais, pois o governo conta com o “empoçamento” — verbas autorizadas no Orçamento, mas não executadas — estimado em cerca de R$ 10 bilhões neste ano.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a União continuará recebendo óleo-lucro dos campos do pré-sal após a venda das participações, conforme previsto nos contratos de partilha.
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As participações adquiridas reforçam a posição de Petrobras e Shell nos principais ativos do pré-sal e garantem recursos imediatos ao Tesouro Nacional, enquanto ainda preveem ganhos extras vinculados à cotação do petróleo no mercado internacional.
Com informações de G1
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