A França voltou a bloquear a conclusão do tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul, negociado há mais de 25 anos, alegando riscos para seus produtores rurais justamente no momento em que o setor enfrenta sucessivas crises sanitárias e perda de competitividade.
Sanidade animal sob pressão
O país lida simultaneamente com uma epidemia de dermatose nodular contagiosa bovina, que exigiu abates em massa, e com novos focos de gripe aviária na região de Landes, polo do foie gras. Esses surtos aprofundam o desgaste financeiro dos pecuaristas franceses.
Primeiro déficit em meio século
A expectativa do Ministério da Agricultura é de que, em 2025, a balança comercial do setor fique negativa pela primeira vez em 50 anos. Contribuem para o resultado o salto nos preços internacionais de cacau e café — itens que a França importa — e a queda das vendas externas de vinhos e destilados após tarifas adotadas pelos Estados Unidos, além de uma safra fraca de cereais.
Subsídios ameaçados
Outro ponto de tensão é a perspectiva de corte de 20% no orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) entre 2028 e 2034. A França é a principal beneficiária do programa, recebendo cerca de 9 bilhões de euros por ano, o equivalente a dois terços da renda de muitos produtores.
Competitividade em queda
Nos últimos anos, o país caiu da segunda para a sexta posição no ranking global de exportadores de alimentos, com 4,3% de participação em 2024. Hoje, metade das frutas e dos legumes consumidos internamente já é importada, reflexo de custos de produção mais altos que os de vizinhos como Espanha e Alemanha.
Pressão contra o Mercosul
Nesse contexto, agricultores consideram o acordo com o bloco sul-americano uma ameaça adicional, alegando padrões ambientais menos rígidos na América Latina. A Comissão Europeia propôs salvaguardas e um mecanismo que permite reverter isenções tarifárias se o preço de produtos latino-americanos ficar 5% abaixo do valor praticado no mercado europeu e as importações crescerem acima de 5%. Ainda assim, Paris quer adiar a assinatura prevista para 20 de dezembro no Brasil.
A decisão final depende também do posicionamento da Itália. Caso Roma se junte a França, Polônia e Hungria, haverá maioria qualificada para barrar o texto no Conselho Europeu.
Dados oficiais sobre a PAC podem ser consultados no portal da Comissão Europeia neste link.
Para entender como o impasse pode afetar a região, confira outras notícias na editoria Internacional do Se Por Dentro.
O caso segue em negociação e novas rodadas de debate estão previstas antes do prazo final de votação no bloco.
Continue acompanhando o Se Por Dentro para saber os próximos passos desse acordo e seus possíveis impactos no agronegócio brasileiro.
Com informações de G1
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