Brasília – O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta quarta-feira (31 de dezembro de 2025) que a sobretaxa de 55% anunciada pela China para as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas estabelecidas “não é algo tão preocupante” para o Brasil.
Segundo o ministro, o país ampliou o acesso a diversos mercados nos últimos anos, o que reduz o impacto da medida chinesa. “No governo do presidente Lula, abrimos 20 novos mercados para a carne bovina e expandimos outros já existentes. O Brasil está relativamente preparado para intempéries comerciais”, declarou em entrevista à TV Globo.
Entenda a decisão chinesa
O Ministério do Comércio da China definiu uma cota total de 2,7 milhões de toneladas de carne bovina para 2026. Exportações que excederem esse volume pagarão a tarifa adicional de 55% a partir de 1º de janeiro de 2026, por um período de três anos. O Brasil detém a maior cota individual: 1.106.000 toneladas anuais.
Fávaro explicou que Pequim vinha preparando a chamada “salvaguarda” há pelo menos um ano para proteger sua produção interna. “Não há discriminação contra algum país específico”, ressaltou.
Negociações em andamento
O ministro pretende discutir a regra com autoridades chinesas e tentar utilizar cotas não aproveitadas por outros fornecedores. “Os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram para a China no último ano. Vamos verificar se podemos cumprir essa parte da cota”, disse.
O secretário de Relações Internacionais do ministério, Luís Rua, reforçou, à GloboNews, que o anúncio “não é uma notícia catastrófica”. Ele lembrou que, entre meados de 2021 e meados de 2024, o Brasil respondeu por 44% das importações chinesas de carne bovina, percentual que serviu de base para o limite agora imposto.
Setor produtivo
Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmaram que a salvaguarda “altera as condições de acesso ao mercado chinês e exige reorganização dos fluxos de produção e exportação”.
Apesar da mudança, Fávaro garantiu que o diálogo com a China permanece positivo. “A relação nunca esteve tão boa e assim vai continuar”, concluiu.
Com informações de g1.globo.com
De acordo com dados oficiais disponíveis no portal do Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil exportou 2,02 milhões de toneladas de carne bovina em 2024, recorde histórico para o setor.
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