O governo da França determinou, nesta quarta-feira (7), a suspensão temporária da importação de alimentos que contenham cinco defensivos agrícolas banidos na União Europeia, medida que afeta principalmente países da América do Sul.
O que muda a partir de 8 de janeiro
A restrição passa a valer nesta quinta-feira (8) e terá duração inicial de 12 meses. Abacate, manga, goiaba, frutas cítricas, batata e outros produtos cultivados com mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato ou benomil não poderão entrar no território francês.
Motivação
A decisão é resposta à insatisfação de agricultores franceses com o avanço do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. Produtores temem perda de competitividade diante da possível entrada de itens agrícolas de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Trâmites em Bruxelas
A Comissão Europeia dispõe de dez dias para analisar o decreto. Ao fim desse prazo, o órgão poderá aceitar a suspensão, estendê-la aos demais países do bloco ou barrar a medida. Enquanto isso, a regra já pode ser aplicada em caráter provisório.
Responsabilidade das empresas
Além de proibir a entrada de cargas tratadas com as substâncias listadas, o documento obriga importadores e a cadeia alimentícia a comprovar que os produtos ofertados no mercado francês estão livres dos defensivos vetados.
Contexto político
O Palácio do Eliseu enfrenta forte pressão de produtores rurais, que realizam protestos com bloqueios de estradas. Parlamentares de diferentes correntes também ameaçam votar moções de censura caso o presidente Emmanuel Macron apoie a assinatura do tratado UE-Mercosul, prevista para ser debatida no Conselho Europeu em 12 de janeiro.
Preocupação europeia
Para acalmar o setor, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou proposta de acrescentar 45 bilhões de euros ao orçamento da Política Agrícola Comum entre 2028 e 2034. Agricultores temem aumento das importações de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, considerados mais competitivos por exigirem menos custos de produção.
Com informações de G1
De acordo com a Comissão Europeia, mais de 400 substâncias ativas já foram retiradas do mercado do bloco nos últimos anos, reforçando o rigor contra defensivos considerados perigosos.
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