O tratado comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado há mais de 25 anos, entrou na fase final e promete alterar preços de diversos produtos no Brasil. A estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o país será o principal beneficiado, com potencial de elevar o Produto Interno Bruto (PIB) em 0,46% até 2040.
O que muda para o consumidor
Com a remoção gradual de tarifas alfandegárias, itens tradicionais europeus — como vinhos, queijos, azeites, chocolates e algumas bebidas destiladas — tendem a chegar às prateleiras com valores menores ao longo dos próximos anos. Automóveis importados do Velho Continente, hoje tributados em 35%, deverão ter imposto zerado em até 15 anos, o que pode reduzir os preços a partir de dois ou três anos após a entrada em vigor.
Impacto na cadeia produtiva
O acordo também deve cortar custos de tecnologias e insumos usados na produção nacional. Máquinas, tratores, fertilizantes, defensivos e equipamentos de agricultura de precisão importados da Europa ficarão mais acessíveis, segundo pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para a indústria, a chegada de bens manufaturados mais baratos pode fomentar investimentos em modernização e aumentar a geração de empregos em setores de maior valor agregado.
Exportações brasileiras
Na outra ponta, produtos como calçados, frutas e outras commodities agrícolas ganharão competitividade no mercado europeu. As tarifas sobre calçados, atualmente entre 3% e 7%, serão zeradas em até quatro anos; para uvas, a alíquota de 14% cai imediatamente com o início do tratado. Embora a maior demanda externa possa enxugar a oferta interna de alguns alimentos, analistas não veem risco significativo para a inflação.
Números do acordo
A área abrangida soma 720 milhões de consumidores — 450 milhões na União Europeia e 270 milhões no Mercosul —, equivalente a cerca de 25% do PIB global. Em 2025, as trocas entre Brasil e UE alcançaram US$ 49,8 bilhões em exportações brasileiras e US$ 50,3 bilhões em importações. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) estima que o entendimento possa adicionar R$ 7 bilhões às vendas externas do país dentro de uma rede comercial avaliada em US$ 22 trilhões.
Medicamentos e produtos farmacêuticos continuam respondendo por mais de 8% do total importado da UE, mantendo-se como a principal pauta de compras brasileiras no bloco.
O tratado ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos 27 membros da União Europeia e dos quatro integrantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) para entrar em vigor.
No curto prazo, consumidores devem sentir reduções graduais de preço em itens de supermercado, enquanto setores produtivos podem planejar investimentos em equipamentos mais modernos e baratos à medida que as barreiras tarifárias forem caindo.
Com informações de G1
Estudos da Comissão Europeia detalham os benefícios e as fases de implementação das tarifas, reforçando o potencial de crescimento para ambos os blocos (policy.trade.ec.europa.eu).
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O acordo Mercosul-UE pode transformar a rotina de consumidores e empresas brasileiras nos próximos anos. Continue acompanhando nossas publicações e saiba em primeira mão como esses e outros temas econômicos afetam o seu dia a dia.
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