Brasília – O tratado comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve ser oficialmente assinado neste sábado (17) após mais de 25 anos de negociações, prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do intercâmbio entre os dois blocos. A medida deve modificar o preço de produtos no mercado brasileiro, reforçar a competitividade da indústria local e abrir novas frentes para as exportações nacionais.
Impacto direto no consumidor
Itens tradicionais da Europa tendem a chegar aos supermercados com preços menores. Vinhos produzidos em Itália, França e Espanha — hoje mais baratos no mercado europeu — devem ficar mais acessíveis ao bolso do brasileiro à medida que as tarifas caiam. A mesma tendência vale para azeites, queijos, chocolates premium e outros alimentos processados.
No setor automotivo, a tarifa de 35% sobre veículos fabricados na União Europeia será zerada em até 15 anos, o que pode reduzir gradualmente o custo dos carros importados. Medicamentos e produtos farmacêuticos, inclusive de uso veterinário, são outro destaque: representam mais de 8% das importações brasileiras originárias da UE e poderão registrar queda de preços conforme as barreiras comerciais desapareçam.
Indústria e agronegócio
A redução tarifária também deve baratear insumos industriais e tecnologias europeias usadas pela produção nacional. Segundo analistas, máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas podem ter custo menor, estimulando investimentos em modernização e ganho de produtividade no campo e nas fábricas.
Exportações brasileiras
O acordo cria um mercado estimado em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões) para os países do Mercosul. Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) apontam potencial de aumento das vendas externas do Brasil em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) ao ano.
Entre os beneficiados estão calçados, que hoje enfrentam tarifas entre 3% e 7% na UE e terão isenção total em até quatro anos, e frutas como a uva, cuja alíquota de 14% será eliminada assim que o tratado entrar em vigor. Em 2025, as exportações brasileiras para o bloco europeu somaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões), enquanto as compras vindas da UE ficaram em US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões).
Dimensão do acordo
O tratado abrange 27 países da União Europeia e os quatro membros do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, totalizando 720 milhões de consumidores, cerca de 25% do Produto Interno Bruto mundial. Projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que, até 2040, o Produto Interno Bruto brasileiro pode crescer 0,46% graças à parceria, percentual acima do estimado para os demais signatários.
Assinado, o pacto seguirá para ratificação nos parlamentos de cada país antes de entrar em vigor.
Com informações de G1
De acordo com a Comissão Europeia, o acordo também inclui compromissos ambientais e trabalhistas que podem influenciar futuras pautas de sustentabilidade entre os blocos.
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O tratado UE–Mercosul representa uma nova etapa para consumidores, empresas e produtores brasileiros. Continue acompanhando nossas publicações e fique por dentro dos desdobramentos deste e de outros acordos comerciais.
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