Washington (EUA), 25 jan. 2026 – Anunciadas por Donald Trump em 2 de abril de 2025, as novas tarifas de importação dos Estados Unidos pouparam inicialmente México e Canadá, transformando o vizinho do sul no maior beneficiado do chamado “Dia da Libertação”.
Impacto imediato nas exportações
Desde a divulgação das medidas, o México registrou alta de 5,66% nas vendas para o mercado norte-americano, enquanto o Canadá amargou queda de 6,19%, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. O jornal The Wall Street Journal classificou o país latino como “ganhador inesperado” da política tarifária.
Tarifas efetivas muito abaixo da média
Cálculo do Modelo de Orçamento Penn Wharton (PWBM), da Universidade da Pensilvânia, aponta que os produtos mexicanos enfrentaram tarifa efetiva de 4,6% em outubro de 2025. A alíquota para itens canadenses ficou em 3,9%. Em contraste, mercadorias chinesas pagaram 37,1%, e a média global chegou a 10,91% – salto expressivo frente aos 2,2% de janeiro de 2025, antes do início do segundo mandato de Trump.
Força do T-MEC
Especialistas atribuem o desempenho mexicano à proteção oferecida pelo Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC), assinado em 2017. Erica York, analista da Tax Foundation, destaca que as transações dentro do acordo dispararam em 2025, passando de menos da metade para até 87% das importações norte-americanas vindas do México e Canadá. Muitos fabricantes que antes optavam por pagar tarifas baixas migraram para o T-MEC a fim de escapar dos novos encargos.
Setores com resultados distintos
Nem todos os segmentos foram igualmente favorecidos. O automotivo avançou apenas 0,9% em 2025, mesmo depois de negociações que limitaram sobretaxas a componentes não produzidos nos EUA. Aço e alumínio, submetidos a tarifa de 25%, viram recuo nas vendas.
Renegociação à vista
O teste mais duro virá ainda este ano, quando o T-MEC terá de ser revisto. Em 13 de janeiro, Trump afirmou que o tratado parece “irrelevante” e declarou não precisar de carros fabricados no Canadá ou no México. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reagiu dizendo confiar na continuidade da integração comercial. Já o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, buscou novos acordos com a China, movimento que especialistas veem como sinal de cautela diante das incertezas.
Cenários possíveis
Para o economista Mario Campa, da Universidade Columbia, as negociações podem renovar o acordo como está, reconfigurá-lo com mais proteção para os EUA ou até levar à ruptura do bloco. Caso o pior ocorra, ele avalia que o México terá de acelerar planos de diversificação comercial, como o “Plano México” anunciado por Sheinbaum em 2025.
Enquanto o futuro do T-MEC permanece indefinido, números recentes confirmam que a combinação de localização estratégica, mão de obra qualificada e acesso preferencial ao mercado norte-americano mantém o México na dianteira entre os fornecedores dos Estados Unidos.
Segundo estudo da Universidade da Pensilvânia, alterações tarifárias tendem a gerar deslocamentos comerciais semelhantes aos observados durante a primeira guerra tarifária com a China, indicando que o México pode continuar se destacando se mantiver vantagens comparativas.
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O caminho da renegociação do T-MEC será decisivo para empresas, investidores e governos da América do Norte. Siga nosso portal para receber atualizações sobre o tema e entender como cada passo pode impactar a economia regional.
Com informações de g1




