
São Paulo – Depois de avançar quase 34% em 2025, o Ibovespa iniciou 2026 em alta velocidade. Somente em janeiro, o principal índice da B3 quebrou sete recordes consecutivos de fechamento e, no dia 27, atingiu 181.919 pontos, acumulando ganho de 13% no ano e de 45% em 12 meses.
Por que o otimismo continua
Analistas atribuem o fôlego do mercado a dois vetores principais: perspectiva de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos e maior fluxo de capital estrangeiro para países emergentes.
No Brasil, o consenso do mercado aponta que o Banco Central deverá iniciar a redução da Selic ainda no primeiro trimestre. A expectativa é de um recuo de 2,75 pontos percentuais até o fim do ano, levando a taxa dos atuais 15% para 12,25% ao ano.
Nos EUA, o Federal Reserve já cortou os juros três vezes em 2025, deixando o intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, o menor patamar desde setembro de 2022. A continuidade desse movimento diminuiria a atratividade das Treasuries e estimularia investidores a buscar retornos maiores em bolsas de países emergentes.
“Juros mais baixos tornam as ações mais competitivas”, resume André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica. Ele acrescenta que tensões geopolíticas causadas pelo presidente Donald Trump têm reforçado a busca por alternativas fora dos EUA, colocando o Brasil como “porto seguro” relativo.
Impacto do dinheiro estrangeiro
O fluxo de não residentes é apontado como peça-chave para a escalada da B3. Em 2025, investidores estrangeiros aportaram R$ 25,4 bilhões líquidos em ações brasileiras. Apenas até 20 de janeiro deste ano, as compras líquidas somam R$ 8,7 bilhões, segundo a Santander Corretora.
“Se a rotação de recursos globais para emergentes continuar, o índice tende a renovar máximas”, afirma o estrategista Ricardo Peretti.
Riscos no caminho
Apesar da expectativa positiva, economistas destacam que 2026 deve ser marcado por forte volatilidade. Pesam no radar a política comercial de Trump, capaz de pressionar commodities e inflação global, e o calendário eleitoral brasileiro de outubro.
O CEO da Global 360 Invest, Dyego Galdino, lembra que a estratégia de tarifas dos EUA pode afetar lucros de grandes empresas e alterar o humor do mercado. Já Rafael Costa, da Cash Wise Investimentos, nota que questões fiscais permanecem sem solução e podem voltar ao centro do debate.
Influência das eleições
Movimentos recentes mostraram como o pleito pode mexer com preços. Em dezembro, o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro levou o dólar a disparar e o Ibovespa a recuar mais de 4% em um único pregão. Pesquisas divulgadas em janeiro, no entanto, indicaram aproximação entre os principais nomes e devolveram ânimo à bolsa.

Para Galhardo, qualquer governo eleito em 2026 terá de anunciar ajuste fiscal em 2027, o que também pode repercutir positivamente em câmbio e ações.
Projeções para o índice
Cenários mais otimistas consideram que o Ibovespa pode superar a barreira dos 200 mil pontos. O Itaú BBA vê o índice em 185 mil pontos ao fim do ano, podendo chegar a 252 mil em hipótese favorável. A Santander Corretora trabalha com 195 mil pontos.
“Ninguém sabe se vamos parar em 180 mil, 200 mil ou 250 mil pontos, mas há boa chance de a trajetória continuar ascendente”, comenta Rafael Costa.
O que impulsionou 2025
Especialistas elencam cinco fatores que explicam o rali do ano passado: cortes de juros nos EUA, realocação de recursos em meio à incerteza fiscal americana, expectativa de queda da Selic, resiliência do Brasil nas tensões comerciais e ações nacionais ainda descontadas em relação ao pré-pandemia.
Perspectiva – Mantidos os cortes de juros e a entrada de capital estrangeiro, analistas avaliam que o Ibovespa tem espaço para novos recordes, embora sujeito a frequentes oscilações impostas por política monetária, geopolítica e eleições.
Dados oficiais sobre a Selic podem ser acompanhados no site do Banco Central do Brasil.
Para acompanhar atualizações sobre o cenário externo, visite nossa seção de Internacional.
Continue acompanhando nossas publicações para entender os próximos passos do mercado financeiro e conferir oportunidades de investimento.
Com informações de g1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








