O rebanho bovino dos Estados Unidos encolheu para o menor tamanho desde 1951, informou o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) na sexta-feira (30). O cenário indica que os preços da carne bovina devem continuar elevados para o consumidor, após terem batido recordes no ano passado.
Em 1º de janeiro, o país contava com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, segundo o relatório semestral do USDA. O número representa redução de 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o efetivo já havia alcançado o nível mais baixo em mais de sete décadas.
A queda foi provocada, principalmente, pela seca persistente que atingiu Estados do oeste, levando pecuaristas a enxugar seus plantéis. Para Rich Nelson, estrategista-chefe da consultoria Allendale, os preços da carne devem seguir altos por cerca de dois anos, tempo necessário para que o gado esteja pronto para abate caso comece agora a reposição dos rebanhos. “Não há sinais de uma reconstrução de verdade”, afirmou.
Desde 2019, o número de vacas tem diminuído de forma contínua, à medida que a escassez de pastagens elevou o custo de alimentação e forçou o envio de mais animais para o abate. O rebanho de vacas de corte caiu 1% em comparação a 2024, somando 27,6 milhões de cabeças; é o menor volume desde 1961. O total divulgado inclui também vacas leiteiras, que eventualmente seguem para frigoríficos.
Os preços no varejo refletem o aperto da oferta. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que a carne moída fechou dezembro com valor recorde de US$ 6,69 por libra, alta superior a 2% sobre novembro e de 19% em 12 meses.
O impacto chega até a indústria. A Tyson Foods, uma das quatro maiores processadoras de carne bovina do país, decidiu fechar definitivamente uma planta em Nebraska, que empregava cerca de 3.200 trabalhadores, e reduzir a operação em uma unidade no Texas. A companhia divulgará seu balanço trimestral na segunda-feira.
No campo político, a escalada dos preços dos alimentos derrubou a confiança do consumidor americano em janeiro ao menor nível em mais de 11 anos e meio. A pressão fez o presidente republicano Donald Trump prometer, em outubro, tornar a carne bovina mais acessível, mas os valores continuaram subindo para carne moída e bifes.
Especialistas destacam que os altos preços do gado também estimulam pecuaristas a vender animais para abate imediato, em vez de mantê-los para reprodução, retardando ainda mais qualquer recuperação do rebanho.

Com os estoques no menor patamar em 75 anos e sem “sinais de reconstrução de verdade”, a oferta apertada deve seguir sustentando preços elevados no curto e médio prazos, enquanto o setor avalia estratégias para recompor o plantel.
Dados oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) detalham periodicamente a evolução dos rebanhos e auxiliam na projeção dos preços.
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O rebanho bovino norte-americano está no menor nível desde 1951, e a escassez deve manter a carne cara por pelo menos dois anos. Continue acompanhando nossas atualizações para saber como esse cenário pode afetar o seu bolso.
Com informações de g1
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