BUENOS AIRES – A Argentina vai às urnas neste domingo (26) para renovar metade da Câmara dos Deputados (127 cadeiras) e um terço do Senado (24). O resultado é considerado crucial para o futuro econômico do país, que enfrenta forte desvalorização do peso e reservas internacionais reduzidas.
Suporte norte-americano condicionado ao pleito
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para Buenos Aires, mas vinculou o desembolso ao desempenho do partido governista La Libertad Avanza (LLA), de Javier Milei, nas urnas. “Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina”, declarou Trump durante encontro com Milei na Casa Branca.
Dias depois, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, adotou tom mais moderado e informou a compra de pesos no mercado, além de trabalhar com bancos e fundos para estruturar outra linha de crédito de US$ 20 bilhões destinada à dívida soberana argentina. Somadas, as operações podem elevar o apoio dos EUA a US$ 40 bilhões (cerca de R$ 217 bilhões).
O Banco Central argentino confirmou o swap inicial de US$ 20 bilhões, mas não divulgou data para a efetivação.
Pressão política e reação dos mercados
Milei chega ao pleito em meio a denúncias contra sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, acusada de cobrar propina de laboratórios. A crise se soma à derrota do governo nas eleições provinciais de setembro em Buenos Aires, que provocou queda de títulos públicos, ações e do próprio peso. Na sexta-feira (24), a moeda argentina encerrou a sessão cotada a 1.492,45 por dólar, pior nível desde o início da gestão Milei.
Composição do Congresso em disputa
O movimento peronista, principal força de oposição, tenta manter parte expressiva de suas cadeiras, enquanto o LLA possui atualmente 37 deputados e seis senadores. Analistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que superar 35% dos votos indicará crescimento de apoio ao governo; aproximar-se de 40% seria considerado resultado “muito bom”.
Para barrar eventuais tentativas de derrubar vetos presidenciais, o LLA precisará de cerca de um terço das cadeiras em cada casa legislativa, cenário que pode exigir alianças – entre elas, a já ensaiada com o PRO, do ex-presidente Mauricio Macri.
A importância do swap cambial
O swap cambial é uma troca temporária de moedas entre países para reforçar reservas e garantir liquidez em divisas estrangeiras, sem recorrer a empréstimos tradicionais. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o mecanismo pode estabilizar mercados em períodos de tensão cambial.
O desfecho das urnas neste domingo definirá se a Argentina contará ou não com o reforço de até US$ 40 bilhões anunciado por Washington, considerado vital para enfrentar a falta de reservas em dólar e o avanço da inflação.
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Com informações de g1
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