Onze famílias da aldeia Tupinambá do Acuípe de Cima, em Ilhéus (BA), recorreram a um empréstimo de aproximadamente R$ 50 mil para expandir o cultivo de cacau em sistema cabruca e restaurar áreas degradadas da Mata Atlântica.
O recurso foi obtido pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), linha de crédito federal que oferece juros reduzidos e prazos maiores de pagamento. A solicitação contou com apoio do CredAmbiental, iniciativa do Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), que treina moradores locais para atuarem como “ativadores de crédito”. Esses agentes auxiliam na documentação, na negociação com bancos e no plano de uso do dinheiro.
Plantio que protege a floresta
Na cabruca, o cacau cresce à sombra de árvores nativas, prática que conserva o bioma mais devastado do país. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, restam somente 24 % da cobertura original.
Além do cacau, os indígenas planejam implantar um sistema agroflorestal que combina bananeiras, coqueiros, feijão e mandioca, recuperando áreas antes usadas para pasto. “Pensávamos que não tinha como indígenas pegarem um projeto desse bom”, relatou Adalberto Lopes, integrante do grupo.
Crédito climático no campo
O empréstimo é exemplo de como o financiamento climático chega a pequenos produtores. No Brasil, a agropecuária responde por 28 % das emissões de gases de efeito estufa, atrás apenas do desmatamento. Porém, comunidades rurais ainda esbarram em falta de informação e burocracia para acessar crédito.
Com a metodologia da Conexsus, 98 % dos produtores assessorados mantêm pagamentos em dia; 1.054 deles utilizam atualmente recursos do Pronaf obtidos via CredAmbiental.
Programa federal semelhante
No ano passado, o governo federal lançou o Florestas Produtivas, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), que oferece capacitação e assistência técnica desde o diagnóstico da propriedade até a elaboração do projeto de crédito. A ação opera, por enquanto, em municípios do Pará, Maranhão, Amapá e Acre.
Para o cacique Alicio Francisco, a restauração da Mata Atlântica é questão de sobrevivência: “Se desmatar tudo, a água seca. Como vamos viver?”.
A experiência em Ilhéus mostra que acesso a financiamento, aliado a assistência técnica, pode viabilizar a produção familiar e a conservação ambiental simultaneamente.
Próximos passos: com o plantio em expansão, a comunidade pretende aumentar a área de cabruca e seguir recuperando trechos desmatados nos próximos ciclos de safra.
Segundo informações do próprio governo, as regras completas do Pronaf estão disponíveis na página oficial do MDA, em gov.br/mda.
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Os indígenas Tupinambá mostram que crédito acessível e assistência técnica podem caminhar juntos para restaurar florestas e garantir renda. Continue acompanhando nossas publicações e compartilhe esta notícia para ampliar o debate sobre financiamento climático no campo.
Com informações de g1




