A colheita de uvas no sudoeste de São Paulo, tradicionalmente encerrada nesta época do ano, ainda se estende por diversos parreirais de São Miguel Arcanjo. A queda acentuada de temperatura registrada durante o ciclo produtivo retardou o desenvolvimento dos cachos e obrigou os viticultores a rever prazos e estratégias.
Quem produz e ainda espera
O agricultor Roney Gonçalves, responsável pelo cultivo das variedades Núbia, Itália, Benitaka e Brasil, relata preocupação diária com as mudanças climáticas. “Muita chuva, frio excessivo ou sol forte em excesso podem comprometer a fase em que a fruta perde acidez”, comenta. Segundo ele, o frio fora do previsto fez com que parte dos cachos não atingisse o calibre ideal, deixando tamanhos desuniformes na mesma planta.
Manejo reforçado e preço pressionado
Na área de sete hectares administrada por Valdir Xisto, o cenário é semelhante. Para garantir a qualidade, os cachos são protegidos individualmente com saquinhos plásticos, prática que demanda mão de obra constante. Mesmo com o cuidado, Valdir afirma que o mercado está retraído. O quilo da uva Itália é comercializado a R$ 8, valor ligeiramente superior ao de outras variedades, mas ainda aquém do considerado adequado pela família. A expectativa é de que a colheita se prolongue até o fim de fevereiro.
Safra já concluída em outro sítio
Em contrapartida, o produtor Rafael Denardi encerrou a colheita nos cinco hectares do seu sítio e avalia o desempenho como positivo. As uvas, tanto de mesa quanto finas, não seguem diretamente para as feiras; toda a produção é destinada a uma fábrica que processa a fruta para suco. As variedades de amadurecimento mais tardio serão utilizadas na elaboração de vinhos, informou o viticultor.

Diferença regional
Enquanto a maioria das demais regiões paulistas já concluiu a safra, a combinação de temperaturas baixas fora de época e desenvolvimento irregular das frutas mantém os parreirais de São Miguel Arcanjo em plena atividade. Produtores locais se dividem entre a necessidade de proteger os cachos e a busca por preços mais remuneradores até que o último lote seja retirado do campo.
As previsões para o próximo ciclo ainda são incertas, mas agricultores esperam que condições climáticas mais estáveis permitam recuperar o ritmo tradicional de colheita nos meses iniciais do ano.
Com informações de G1
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