Hospitais, escolas e empresas de tecnologia na Alemanha convivem com uma escassez de mão de obra que, segundo economistas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), exige a contratação de aproximadamente 300 mil profissionais qualificados por ano para manter o ritmo atual da economia. Para atender a essa necessidade, o país tem buscado reforços no exterior, mas o processo de imigração tem se mostrado um grande obstáculo.
Em Chennai, no sul da Índia, cerca de 20 enfermeiras participam de um curso intensivo de alemão financiado pelo governo estadual de Tamil Nadu. O objetivo é que, em seis meses, elas alcancem fluência suficiente para serem contratadas por hospitais alemães. Uma das alunas, Ramalakshi, destaca que vê na mudança a chance de garantir estabilidade financeira para a família e conquistar a casa própria.
Agências privadas conectam essas profissionais às clínicas europeias e cobram entre 7 mil e 12 mil euros por cada contratação concluída. Na Clínica BDH, na cidade de Vallendar, no oeste da Alemanha, já trabalham cerca de 40 enfermeiras vindas da Índia e do Sri Lanka. O chefe da equipe de enfermagem, Jörg Biebrach, reconhece que episódios de racismo e o clima político desfavorável ao estrangeiro influenciam a permanência dessas trabalhadoras, que costumam assinar contratos de dois anos.
A dificuldade, porém, não se resume ao ambiente social. A iraniana Zahra, formada na Alemanha, relata ter aguardado quase um ano para converter o visto de estudante em autorização de trabalho. Seis anos depois, ainda precisa renovar documentos sempre que muda de emprego. Para o advogado Björn Maibaum, especialista em direito de imigração, a situação se repete em diferentes regiões porque faltam servidores nas repartições responsáveis: “Os pedidos ficam parados por meses e isso afasta talentos”, afirma.
Dados do Escritório Alemão para Migração e Refugiados apontam que cerca de 160 mil estrangeiros com residência regular são classificados como trabalhadores qualificados. O mesmo órgão também processa solicitações de asilo, tarefa que ganhou complexidade com a chegada de refugiados de conflitos como os da Síria e da Ucrânia, o que aumenta ainda mais a fila.
Historicamente, a Alemanha já recorreu à força de trabalho externa. Entre as décadas de 1950 e 1970, 14 milhões de “trabalhadores convidados” — os gastarbeiter — vieram de países como Itália, Grécia e Turquia para sustentar o chamado milagre econômico do pós-guerra. Hoje, em meio ao envelhecimento da geração baby boomer e à baixa taxa de natalidade, especialistas defendem mudanças na legislação e maior agilidade nos serviços públicos para evitar que a falta de pessoal comprometa a competitividade do país.
Com informações de g1
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