O bloqueio temporário do Estreito de Ormuz, decidido no fim de semana depois de ataques lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, provocou forte reação nos mercados internacionais de energia. A via marítima, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do petróleo negociado globalmente, e sua interrupção elevou o temor de desabastecimento e aumentos no preço dos combustíveis.
Na reabertura das bolsas na noite de domingo (1º), o barril tipo Brent chegou a saltar cerca de 13%, superando US$ 82, maior patamar desde janeiro de 2025. Na manhã desta segunda-feira, por volta das 10h (horário de Brasília), o Brent ainda avançava 8,30%, cotado a US$ 78,92, enquanto o WTI subia 7,74%, a US$ 72,19.
Por que a passagem é estratégica
Localizado entre Omã e Irã, o Estreito de Ormuz serve de corredor para navios que transportam petróleo do Oriente Médio em direção à Ásia, Europa e Américas. Países integrantes da Opep — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã — dependem majoritariamente desse trajeto. Informações da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa indicam que, entre o início de 2022 e maio deste ano, circularam diariamente pelo estreito entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris de petróleo e derivados.
A relevância da passagem não se resume ao petróleo. Grande parte do gás natural liquefeito exportado pelo Catar também segue por Ormuz. Embora Emirados Árabes e Arábia Saudita invistam em oleodutos terrestres para reduzir a dependência, a capacidade ociosa estimada em 2,6 milhões de barris diários não é suficiente para substituir totalmente a rota marítima, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.
Efeitos imediatos na produção regional
Além da escalada nos preços, a tensão militar levou a paralisações preventivas no setor de energia. O Catar suspendeu sua produção de gás natural liquefeito após drones atingirem uma instalação; a Arábia Saudita interrompeu temporariamente as operações da refinaria de Ras Tanura; e quase toda a extração de petróleo no Curdistão iraquiano foi paralisada. Israel ordenou a parada de atividades em grandes campos de gás marítimo, como Leviatã e Tamar, enquanto explosões registradas perto da ilha iraniana de Kharg colocaram em risco a principal área de exportação do país.
Historicamente, o Irã já ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz em momentos de confronto, mas evita prolongar a medida para reduzir o risco de retaliação internacional. Especialistas, porém, avaliam que o atual cenário é mais delicado devido à intensidade dos ataques e ao envolvimento direto de potências globais na região.
Fonte: g1
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