O senador sergipano Alessandro Vieira (MDB-SE) entregou nesta segunda-feira (9) um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
No documento, Vieira afirma que “o caso Master revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras” que, segundo ele, alcançou “o coração do Poder Judiciário”. O senador defende que as ligações dos magistrados com Vorcaro sejam apuradas pelo Legislativo.
A justificativa menciona duas frentes principais: a participação da Maridt Participações, empresa da família de Toffoli, em negócios com o Tayayá Resort, vinculado ao Banco Master, e um contrato celebrado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, e a instituição financeira controlada por Vorcaro. Também foram anexadas mensagens trocadas pelo banqueiro com a namorada, em que ele relataria encontro com o ministro Alexandre de Moraes.
Para que uma CPI seja aberta no Senado são necessárias 27 assinaturas. O requerimento alcançou 35 apoios, com baixa adesão de parlamentares aliados ao governo federal. Agora, a instalação depende da leitura do pedido em plenário pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que também indicará quem comandará o colegiado.
Quem assinou o pedido
- Alan Rick (Republicanos-AC)
- Alessandro Vieira (MDB-SE)
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
- Carlos Portinho (PL-RJ)
- Carlos Viana (Podemos-MG)
- Cleitinho (Republicanos-MG)
- Damares Alves (Republicanos-DF)
- Dr. Hiran (PP-RR)
- Eduardo Girão (Novo-CE)
- Efraim Filho (União-PB)
- Esperidião Amin (PP-SC)
- Flávio Arns (PSB-PR)
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
- Izalci Lucas (PL-DF)
- Jaime Bagattoli (PL-RO)
- Jorge Kajuru (PSB-GO)
- Laércio Oliveira (PP-SE)
- Luis Carlos Heinze (PP-RS)
- Magno Malta (PL-ES)
- Mara Gabrilli (PSD-SP)
- Marcio Bittar (PL-AC)
- Marcos do Val (Podemos-ES)
- Marcos Rogério (PL-RO)
- Margareth Buzetti (PP-MT)
- Nelsinho Trad (PSD-MS)
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
- Plínio Valério (PSDB-AM)
- Rogério Marinho (PL-RN)
- Sergio Moro (União Brasil-PR)
- Styvenson Valentim (PSDB-RN)
- Tereza Cristina (PP-MS)
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
- Wellington Fagundes (PL-MT)
- Wilder Morais (PL-GO)
Entenda o caso Master
Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, após apontar indícios de irregularidades financeiras e forte perda de liquidez. No mesmo dia, a Polícia Federal iniciou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão preventiva de Daniel Vorcaro.
As investigações apontam que o grupo oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDB) com rentabilidade muito acima da média e usava operações para inflar artificialmente o balanço, agravando o risco. Vorcaro foi solto com uso de tornozeleira eletrônica e voltou a ser detido em 4 de janeiro.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado, também teve a liquidação decretada. Já em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o pagamento das garantias aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank, num montante de R$ 40,6 bilhões.
Jovem Pan solicitou posicionamento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por meio da assessoria do STF, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: Jovem Pan
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