Em depoimento de menos de uma hora à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, nesta quarta-feira, 11, o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, exerceu o direito de permanecer calado, garantido por habeas corpus, e respondeu a poucas perguntas.
Logo na abertura da audiência, o advogado de Mansur informou que seu cliente ouviria os questionamentos, mas não se manifestaria. Diante da postura, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), fez um apelo público para que o executivo colaborasse. Mansur quebrou o silêncio por breves minutos, alegando que a Reag — administradora de mais de 700 fundos e com cerca de 800 funcionários até agosto passado — foi alvo de investigações por ser “grande e independente”. Também afirmou que o Banco Master, centro das apurações, era “apenas um cliente” entre outros.
Operações e decisões aprovadas
A Reag é citada nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que apuram a infiltração de organizações criminosas no sistema financeiro. Embora o depoimento tenha trazido poucas informações novas, os senadores consideraram a sessão produtiva pela aprovação de diversos requerimentos.
Entre eles, a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, cunhado do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de Luiz Philippi Mourão, conhecido como “Sicário”, braço direito de Vorcaro que se suicidou após ser preso na semana passada. A comissão também convocou o escrivão de polícia aposentado Marilson Roseno da Silva e dois servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana.
Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) avaliou que, apesar de o depoimento não avançar sobre eventuais recursos de lavagem de dinheiro envolvendo fundos da Reag, os documentos aprovados devem ampliar o acesso da comissão a informações já colhidas pela Polícia Federal e pelo ministro-relator no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Fonte: Agência Brasil
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