Ferramentas como ChatGPT e Gemini já ocupam parte do espaço antes reservado a redatores, designers e tradutores autônomos. Trabalhadores relatam redução de contratos, queda nos valores pagos e surgimento de novas exigências profissionais, cenário que confirma alerta da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a exposição de um em cada quatro empregos às tecnologias de IA generativa.
Conteúdo publicitário virou tarefa de poucos minutos
A publicitária Mariana Del Nero, 38 anos, atua há 15 anos na produção de textos para agências. Em 2024, perdeu um serviço que mantinha havia mais de uma década quando a cliente enviou, em questão de minutos, um convite corporativo pronto — gerado por inteligência artificial. A experiência levou a profissional a adotar as mesmas plataformas que a substituíram. Hoje, afirma concluir tarefas em cerca de 15 minutos, antes executadas em duas horas, mas observa que o volume de encomendas diminuiu e os ganhos não avançaram.
Designer vê cachê encolher e acúmulo de funções crescer
O designer gráfico Cássio Menezes, 35, relata ter cobrado R$ 1,6 mil para desenvolver identidade visual completa de uma marca — valor já reduzido em comparação aos R$ 3 mil a R$ 4 mil praticados três anos antes. Mesmo assim, o cliente recusou o orçamento alegando que poderia “fazer tudo com o ChatGPT”. Segundo o profissional, vagas publicadas em plataformas como o LinkedIn oferecem salários baixos, mas exigem que uma única pessoa concentre criação, tráfego pago, marketing e gestão de redes, atribuindo a facilidade dessas ferramentas como justificativa.
Tradução migra para revisão de textos gerados por IA
Autônoma há cinco anos, a tradutora Maria Fernanda, 34, percebeu mudança expressiva no mercado a partir de 2024. A maior parte das ofertas, diz, passou a ser para revisar conteúdos previamente traduzidos por máquinas. Embora o pagamento por revisão seja inferior ao da tradução integral, o tempo de execução caiu, permitindo aceitar mais projetos e manter o faturamento. Ela observa que a dinâmica atinge mais as áreas técnica e publicitária; na literatura, a tradução humana ainda predomina.
Como manter relevância diante das máquinas
Para a professora Luciana Morilas, especialista em mercado de trabalho da FEA-USP, o caminho é reforçar a dimensão criativa — atributo que, segundo ela, a IA não reproduz — e integrar as ferramentas ao fluxo diário. A docente recomenda utilizar recursos de automação para tarefas simples, como transcrição de áudios ou organização de cronogramas, evitando encarar a tecnologia como inimiga.
Em Sergipe, profissionais autônomos acompanham o movimento relatado em outras regiões do país e buscam equilibrar a adoção de softwares inteligentes com a preservação da originalidade em serviços criativos.
Fonte: g1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








