Nova York, EUA – Pressionados por salários estagnados e despesas em alta, milhares de americanos recorrem a um recurso inusitado para fechar as contas: vender o próprio plasma sanguíneo. A prática, que rende até US$ 600 (R$ 3,1 mil) por mês, já virou segunda fonte de renda inclusive para profissionais da classe média.
- Em resumo: centros de coleta pagam de US$ 60 a US$ 70 por sessão, liberando até duas visitas semanais.
Por que o plasma virou “salário extra”
O Ministério da Saúde define o plasma como parte líquida do sangue usada na fabricação de medicamentos vitais para imunodeficiências, distúrbios de coagulação e doenças hepáticas. Nos EUA, onde o pagamento é liberado, a demanda das farmacêuticas criou um mercado de US$ 6,2 bilhões em exportações somente em 2024.
O resultado: cerca de 215 mil pessoas entram em centros de coleta diariamente, segundo levantamento do The New York Times. Como é permitido doar duas vezes por semana, muitos veem no procedimento uma alternativa regular para custear gasolina, supermercado e até a prestação da casa.
“Isso pode ser dinheiro para emergências”, explica Joseph Briseño, 59, supervisor que doa duas vezes por semana apesar do salário anual de US$ 50 mil.
Novas filas, novos bairros
Historicamente instalados em regiões carentes, os centros avançam agora sobre subúrbios e bairros de renda mais alta. Pesquisadores da Washington University e da Universidade do Colorado mostram que mais de 100 unidades abriram em áreas de classe média desde 2021, aproximando-se de academias, lagos artificiais e escritórios financeiros.
Nessas filas surgem professores, enfermeiros, profissionais de tecnologia e aposentados. Mesmo quem se considerava longe de dificuldades admite que o extracash ajuda a equilibrar o orçamento mensal.
Quanto vale uma hora na cadeira
O processo inclui questionário de triagem, checagem de sinais vitais e, por fim, retirada de cerca de um litro de plasma em 60 minutos. O pagamento vem no ato, geralmente em cartões pré-pagos, e pode ser turbinado por bônus de fidelidade ou indicação.
Ainda que estudos apontem segurança no curto prazo, especialistas alertam para a escassez de pesquisas sobre efeitos prolongados. Enquanto isso, dados citados pelo NYT revelam que, onde um centro se instala, a busca por empréstimos de curto prazo cai quase 20% entre jovens — sinal de que o plasma funciona como “rede de segurança paralela”.
Com 70% do plasma mundial saindo dos EUA e 62,5 milhões de litros coletados em 2025, empresas avaliam reduzir pagamentos e investir em tecnologia para extrair mais material por sessão. A conta, no entanto, continua a fechar para quem sente o bolso apertar.
Crédito da imagem: Divulgação / Freepik
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