Canberra, Austrália – A possibilidade de um novo saque às reservas estratégicas de petróleo voltou ao centro do debate energético depois que o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, admitiu que outra liberação é considerada “se a situação se agravar” no Irã e no Estreito de Ormuz.
- Em resumo: depois de liberar 400 milhões de barris em março, a IEA já estuda repetir a dose para segurar preços e inflação.
Por que a IEA fala em novo socorro tão cedo?
A rodada recorde de março ajudou a esfriar as cotações, mas não removeu o risco de estrangulamento logístico no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Segundo dados do IBGE, o produto ainda sustenta parte relevante da balança comercial brasileira, o que torna o desfecho do conflito um assunto doméstico também.
Birol frisou que não existe “preço gatilho”. O critério, explicou, será uma leitura conjunta das curvas de oferta, demanda e estoques entre os 31 países-membros da IEA.
“Se for necessário, faremos isso. Vamos observar as condições, analisar os mercados e discutir com nossos países membros”, disse Fatih Birol.
O impacto direto no bolso e na economia real
O executivo classificou o momento atual como “mais grave do que crises anteriores”. O alerta mira não só o consumidor na bomba, mas toda a cadeia produtiva que depende de combustíveis fósseis para transportar insumos e produtos. Analistas já projetam pressão extra sobre índices de inflação caso o estreito permaneça instável.
A IEA, além de monitorar estoques, mantém diálogo diplomático para evitar gargalos logísticos e suavizar picos de demanda. A agência não descarta acionar planos de contingência que envolvem desde licenças de exportação emergenciais até coordenação de rotas marítimas alternativas.
Crédito da imagem: Divulgação
Pouco antes de encerrar o evento, Birol reforçou que a “solução definitiva” passa pela reabertura plena do Estreito de Ormuz, condição que ainda parece distante. Enquanto isso, governos e investidores acompanham cada movimento da IEA em busca de sinais sobre volatilidade de preços.
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