Berlim, Alemanha – A revelação de que o ator Christian Ulmen, 50, manteve por anos perfis falsos com vídeos pornográficos deepfake da ex-esposa, a atriz Collien Fernandes, 44, sacudiu o debate sobre violência digital no país na última semana.
- Em resumo: Fernandes descobriu no Natal de 2024 que o autor dos perfis era o próprio marido e agora move ações na Alemanha e na Espanha.
Confissão durante o Natal expôs a farsa
Fernandes havia ido à polícia de Berlim em novembro de 2024, cansada das cópias virtuais que roubavam sua imagem. Durante a ceia natalina, Ulmen perguntou detalhes do boletim de ocorrência e, pressionado, admitiu ser o responsável pelos conteúdos.
O caso, comparado ao da francesa Gisèle Pelicot, escancara uma zona cinzenta da lei alemã. Hoje, criar ou divulgar deepfakes de teor sexual não é tipificado como crime, alerta o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que monitora tendências globais de violência de gênero online.
“Meu corpo me foi roubado durante anos”, desabafou a atriz à revista Der Spiegel ao perceber que o agressor era “a pessoa mais próxima de mim”.
Pressão popular acelera nova legislação
A matéria da Der Spiegel, publicada em 20/03, desencadeou protestos: mais de 3 000 pessoas ocuparam o Portão de Brandemburgo no domingo, 22/03, empunhando cartazes contra a violência sexualizada.
No dia seguinte, 250 mulheres famosas divulgaram petição com dez exigências ao governo. Em 24 horas, o abaixo-assinado somava quase 25 000 apoios. Reagindo ao clamor, o Ministério da Justiça prometeu apresentar breve projeto que tipifique a criação e a distribuição de deepfakes pornográficos, lacuna que hoje protege agressores.
Verdes e A Esquerda, mesmo na oposição, declararam voto favorável. A proposta ganha força enquanto Ulmen ameaça processar a revista por “relato unilateral”, gesto visto por especialistas como tentativa de silenciar a discussão.
Fernandes, que também denunciou maus-tratos e ameaças em Palma de Mallorca, onde o casal morava desde 2023, afirma ter escolhido a Justiça espanhola porque “os direitos das mulheres são significativamente melhores do que na Alemanha”.
Casados em 2011, os artistas chegaram a estrelar campanhas publicitárias que exaltavam igualdade de gênero. A quebra dessa imagem ampliou a repercussão, evidenciando como a violência pode ocorrer mesmo em relacionamentos tidos como exemplares.
Enquanto o processo avança, organizações feministas cobram que plataformas removam conteúdos falsos com agilidade e que vítimas recebam suporte psicológico e jurídico imediato.
Crédito da imagem: Divulgação / G. Chlebarov – VISTAPRESS/IMAGO via DW
Casos semelhantes vêm à tona em outros países; confira mais relatos na editoria Internacional.
Você acredita que a criminalização dos deepfakes sexuais reduzirá esse tipo de abuso? Participe nos comentários e acompanhe nossa cobertura completa.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








