Brasília/DF – Em reação relâmpago à rejeição do parecer oficial da CPMI do INSS, a bancada do PT protocolou um relatório paralelo na Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal, mantendo o foco no suposto “desconto indevido” em benefícios e apontando o ex-presidente Jair Bolsonaro como “chefe do esquema”.
- Em resumo: Texto alternativo lista 130 pedidos de indiciamento e tenta reverter a derrota sofrida na comissão.
Manobra política após votação frustrada
O documento de cerca de 1,8 mil páginas, apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), nasceu poucas horas depois de o relatório de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) ter sido derrubado por 19 votos a 12. A articulação governista, que mobilizou senadores suplentes e ministros, pretendia votar a nova versão ainda na comissão, mas a sessão foi encerrada pelo presidente Carlos Viana.
Mesmo sem aval do colegiado, o texto seguirá tramitando como peça de acusação. De acordo com dados da Câmara Federal, relatórios não aprovados podem embasar inquéritos se forem enviados a órgãos competentes, desde que contenham indícios mínimos.
“O dossiê reflete o pensamento majoritário de dois terços da CPMI”, defendeu Pimenta, justificando o envio direto às autoridades.
Quem pode ser alcançado
Entre os 130 nomes propostos para indiciamento estão Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Já o parecer rejeitado citava 216 pessoas, incluindo o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o “Lulinha”. A disputa de narrativas expõe o racha interno da comissão, que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
A PF avaliará se abre inquérito específico, enquanto o STF pode encaminhar o material à Procuradoria-Geral da República. Qualquer decisão, porém, depende de provas adicionais além do relatório, ressaltam juristas.
Crédito da imagem: Divulgação
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