Washington (EUA) – Um ano depois do autoproclamado “Dia da Libertação”, o tarifaço de Donald Trump já redesenhou rotas de exportação, injetou US$ 287 bilhões nos cofres aduaneiros e transferiu a conta – cerca de US$ 1 mil por família – para o consumidor americano.
- Em resumo: tarifas de até 50% derrubam a China, premiam “países dos 10%” e inflam arrecadação recorde nos EUA.
Estoques inflados e corrida contra o relógio
Prevendo o aumento de custos, empresas dos EUA importaram 20% a mais entre janeiro e março de 2025. Apenas em barras de ouro, o volume foi 50 vezes o habitual, somando US$ 72 bilhões – boa parte vinda da Suíça, mas também de fornecedores tão inusitados quanto Uzbequistão e Zimbábue.
A pausa de 90 dias, decretada a partir de 9 de abril, funcionou como válvula de escape: gigantes europeus e asiáticos renegociaram contratos para se enquadrar na sobretaxa básica de 10%. O Brasil, porém, chegou a arcar com 50% de tarifa extra antes da reversão em novembro.
“As importações se comportaram como água, fluindo de países com tarifas altas para os de tarifas baixas”, sintetiza o economista Haishi Li.
China perde US$ 66 bi; Taiwan e Vietnã avançam
Entre abril e julho, as compras americanas encolheram em US$ 66 bilhões na China e em US$ 24 bilhões no Canadá. Já Taiwan ganhou fôlego: mesmo sob alíquota de 34%, vendeu US$ 34 bilhões a mais aos EUA no período. O movimento confirma a migração de cadeias de suprimentos para polos vistos como substitutos da manufatura chinesa.
Do ponto de vista fiscal, o Tesouro norte-americano triplicou sua receita alfandegária em 2025. Estudos mostram que quase todo esse valor saiu do bolso de importadores domésticos, repercutindo em preços mais altos e investimentos represados. A análise de órgãos financeiros reforça que a incerteza tarifária já pesa na projeção de crescimento global para 2026.
Suprema Corte questiona legalidade, mas incerteza persiste
Em fevereiro, o tribunal derrubou a base legal original do tarifaço, mas a Casa Branca reagiu com uma alíquota geral de 15%. Exportadores buscam novos mercados e governos subsidiam empresas na corrida por cadeias de suprimento mais resilientes.
Economistas alertam: o comércio global entrou em modo “pára-arranca”, com acordos fechados e desfeitos em semanas. Quem consegue adaptação rápida – como Austrália e países latino-americanos dentro do grupo dos 10% – colhe ganhos imediatos.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
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