Brasília – A escalada dos preços do petróleo após o avanço da guerra no Oriente Médio pressionou as projeções econômicas e levou o mercado financeiro a aumentar, pela quarta semana consecutiva, a estimativa do IPCA de 2026 para 4,36%, aponta o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central.
- Em resumo: Inflação sobe de novo enquanto analistas ainda veem espaço para corte de juros.
Por que o barril caro aperta o seu bolso
Com o Brent operando acima de US$ 100, analistas enxergam pressão imediata sobre combustíveis, transporte e cadeia produtiva. Segundo dados do Banco Central, qualquer alta sustentada do petróleo tende a ser repassada rapidamente às bombas, corroendo o poder de compra, sobretudo de quem recebe salários mais baixos.
Mesmo sob esse cenário, o Focus manteve a expectativa de queda da Selic para 12,50% ao ano em dezembro de 2026, graças à confiança de que a inflação permanecerá dentro da banda de 1,5% a 4,5% definida pela meta contínua.
“Quanto maior a inflação, menor o poder de compra da população” – trecho do Boletim Focus.
PIB lento e câmbio estável ampliam incertezas
O mercado reteve a projeção de crescimento do PIB em 1,85% para 2026, número modesto frente à expansão de 2,3% registrada no ano passado pelo IBGE. Já o câmbio deve encerrar 2026 em R$ 5,40, sinalizando que a cotação do dólar, ao menos por enquanto, não adiciona risco extra aos preços internos.
Para 2027, a inflação projetada subiu levemente para 3,85%, enquanto o juro básico seguiria em 10,50% ao ano. Entre 2028 e 2029, as estimativas de IPCA ficaram em 3,60% e 3,50%, respectivamente, reforçando a leitura de que o choque atual é forte, porém passageiro, se o conflito não se prolongar.
No entanto, especialistas alertam: novas surpresas geopolíticas ou um avanço maior do petróleo podem obrigar o Banco Central a recalibrar o ritmo dos cortes de juros, afetando crédito, investimentos e consumo interno. Para o consumidor, a recomendação é rever o orçamento e preparar-se para reajustes frequentes nos preços de serviços essenciais.
Crédito da imagem: Divulgação / g1
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