Brasília – O avanço da guerra no Oriente Médio empurrou o barril de petróleo para além de US$ 100 e, como reflexo direto, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central mostra que analistas já veem a inflação oficial de 2026 em 4,71%, acima do teto de 4,5% fixado para o ano. É a quinta alta consecutiva nas projeções e a primeira vez desde maio passado que o mercado fala em descumprimento da meta.
- Em resumo: Projeção do IPCA sobe para 4,71% e ultrapassa a faixa-limite da meta de inflação.
Petróleo caro: o estopim da nova pressão de preços
Com o Brent acima de três dígitos, combustíveis devem ficar mais caros nas bombas nas próximas semanas, contaminando fretes e alimentos. O Banco Central detalha no Focus que março já trouxe sinal de alerta: o IPCA acelerou para 0,88%, acima das apostas anteriores.
Ao mesmo tempo, a política monetária segue em rota de afrouxamento. Mesmo diante do avanço inflacionário, as instituições mantiveram a aposta de Selic em 12,50% ao ano no fim de 2026, projetando novos cortes ao longo do período.
“Em 4,71% para 2026, a estimativa do mercado supera o teto do sistema de metas – 4,5%”, registra o boletim.
Efeito dominó: salário, poder de compra e câmbio
Quando os preços aceleram e os salários não acompanham, o consumidor sente no carrinho do supermercado. Entre os mais pobres, o impacto é maior porque combustíveis e alimentos pesam mais no orçamento familiar.
No câmbio, a projeção caiu levemente: de R$ 5,40 para R$ 5,37 por dólar ao fim deste ano. Essa melhora marginal, porém, pode ser revertida caso o petróleo continue subindo ou a tensão geopolítica se agrave.
PIB resiste, mas sob vigilância
Mesmo com o cenário mais incerto, a mediana das casas financeiras segue prevendo expansão de 1,85% para o Produto Interno Bruto em 2026 e 1,8% em 2027. O dado sugere cautela, mas não pânico, diante de um eventual choque prolongado de preços.
Para especialistas, a chave será a velocidade de repasse dos derivados de petróleo à inflação corrente. Caso o impacto se mostre persistente, o Copom pode ter de reavaliar o ritmo de queda dos juros nas reuniões seguintes.
E você, acredita que a escalada do petróleo vai derrubar o poder de compra ainda este ano? Acompanhe mais análises na editoria de Economia.




