Sergipe consolidou-se, em 26 de maio de 2026, como referência nacional na realização de cirurgias bariátricas e mamárias custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado é fruto direto do programa Opera Sergipe, política pública criada em julho de 2023 pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES). O balanço mais recente do Ministério da Saúde aponta taxas de 21,38 cirurgias bariátricas e 16,14 cirurgias mamárias para cada 100 mil habitantes em 2025, liderança proporcional entre as 27 unidades da federação.
Em números absolutos, foram 830 procedimentos dessas duas naturezas no ano passado, dentro de uma população estimada em pouco mais de 2,2 milhões de pessoas. Desde que entrou em operação, o programa já acumula mais de 60 mil intervenções de diferentes especialidades, espalhadas pelos 75 municípios sergipanos.
A primeira fase, de julho de 2023 a fevereiro de 2025, concentrou-se em cirurgias de média complexidade, como colecistectomias, hernioplastias e histerectomias. A segunda etapa, iniciada em 1.º de março de 2025, expandiu o leque para 34 tipos de procedimentos, incluindo as intervenções bariátricas, mamoplastias redutoras e reconstrutoras, tratamento cirúrgico da endometriose, além de procedimentos urológicos e ortopédicos por videoartroscopia.
“Primeiro, agradeço a Deus e também ao Governo do Estado por essa oportunidade. Meu objetivo agora é recuperar minha qualidade de vida, voltar a praticar esportes, jogar bola, correr e retomar minha rotina. E, amanhã, eu completo 45 anos. Posso dizer que estou recebendo o melhor presente da minha vida”, declarou o pescador Gleferson José Farias, de 44 anos, que foi submetido à bariátrica neste mês.
Os relatos de usuários ajudam a dimensionar o impacto da iniciativa. A estudante de Direito Ana Clara, 20 anos, conta que o tempo entre a primeira consulta e a cirurgia não chegou a 40 dias, um contraste marcante em relação às longas filas relatadas em anos anteriores.
“No mês passado, fui chamada para a consulta e, pouco mais de um mês depois, já estava sendo convocada para a cirurgia. Assim que fui avaliada, fui aprovada, e tudo aconteceu de forma bem ágil”, relatou a jovem.
As estatísticas de 2026 confirmam a tendência de alta. Apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, 184 bariátricas e 73 mamoplastias foram concluídas, elevando o total acumulado da segunda fase para 584 cirurgias de redução de estômago. A SES atribui o desempenho ao reforço das equipes multiprofissionais, à modernização de centros cirúrgicos e à ampliação de contratos com hospitais de diversas regiões do estado.
Para o secretário de Estado da Saúde, a estratégia de descentralizar atendimentos e qualificar profissionais tem sido decisiva. Ele ressalta que o planejamento para 2026 inclui aumentar a capacidade mensal de 600 para 900 cirurgias eletivas, priorizando fila única estadual, transparência na convocação dos pacientes e suporte pós-operatório com acompanhamento nutricional, psicológico e fisioterapêutico.
O Opera Sergipe, segundo especialistas, evidencia como investimentos direcionados e gestão integrada podem reduzir desigualdades de acesso e colocar um estado de médio porte no topo de indicadores nacionais. O desafio agora é manter o ritmo de produção cirúrgica, garantir sustentabilidade financeira do programa e ampliar o monitoramento de resultados em longo prazo, especialmente para pacientes bariátricos, que necessitam de acompanhamento contínuo.


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