Sergipe encerrou o primeiro semestre de 2026 com um marco expressivo na saúde materno-infantil: 13.204 gestantes receberam, entre dezembro de 2025 e 26 de maio de 2026, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável pela maioria dos casos de bronquiolite em bebês. O número equivale a uma cobertura de 94,9% do público-alvo no estado, segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde.
No contexto nacional, mais de 1 milhão de grávidas foram imunizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) durante a campanha iniciada no Mês das Mães. Trata-se da primeira vez que o imunizante é disponibilizado em toda a rede pública brasileira, garantindo proteção aos recém-nascidos já nos primeiros dias de vida, quando o risco de complicações respiratórias é maior.
“O Brasil voltou a ser referência em vacinação. Em três anos e meio, reconstruímos o Programa Nacional de Imunizações, incorporamos novas vacinas e ampliamos a proteção da população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os reflexos do esforço de vacinação já aparecem nos hospitais. Entre janeiro e abril de 2026, as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% em relação ao mesmo período de 2023, passando de 6,8 mil para 3,2 mil casos. No mesmo intervalo, os óbitos diminuíram 63%, de 72 para 27 registros.
A inclusão da vacina no calendário do SUS ocorreu em 2025, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O avanço é considerado decisivo, pois na rede privada a dose pode custar até R$ 1,5 mil, valor inacessível para muitas famílias.
Para atender a todo o país, o Ministério da Saúde distribuiu 1,8 milhão de doses destinadas a mulheres a partir da 28ª semana de gestação. Em Sergipe, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mantêm a oferta contínua, priorizando a aplicação antes do pico de circulação do vírus, historicamente registrado entre abril e maio.
O imunizante estimula a produção de anticorpos maternos que atravessam a placenta e protegem o bebê nos primeiros meses de vida. Estudos clínicos apontam eficácia de 81,8% contra formas graves da doença nos 90 dias que sucedem o nascimento.
Para ampliar o escudo protetor, o SUS também oferta o anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para recém-nascidos prematuros (até 36 semanas e 6 dias) e crianças de até 23 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas ou doenças pulmonares crônicas. Diferente das vacinas, o nirsevimabe fornece anticorpos prontos, garantindo defesa imediata após a aplicação.
Administrado em dose única, o medicamento protege por até seis meses e está disponível prioritariamente em maternidades e nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Essa estratégia complementar reforça o compromisso de reduzir casos graves de bronquiolite em todo o território sergipano e brasileiro.
Profissionais de saúde recomendam que as gestantes procurem a UBS mais próxima com caderneta de gestante e documento de identificação para receber a dose. A orientação é manter os cuidados de rotina, como acompanhamento pré-natal e atualização de todas as vacinas indicadas no período da gravidez, garantindo mais segurança para mãe e filho.
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